Sunday, November 05, 2006

Sou brega sim!

E daí se eu adoro casamentos? Não é preciso ser diferente o tempo todo... Chamem-me de brega, de antigo e até mesmo de contraditório, mas isso foi uma manifestação que eu achei absolutamente válida. Pois é, ainda que alguns achem que seja ultrapassado, mas eu chorei sim e achei a cerimônia uma coisa linda, cheia de vida e com muito brilho... o noivo que me entra com a 9ª de Beethoven e de fraque cinza... a noiva que antes de sua anunciação foi aguardada sob o som de "My Way" pela orquestra da igreja que estava toda enfeitada de branco e margaridas... não, não me condenem, eu me emocionei e percebi que sentia falta de estar nisso.

 

O amor deve ser celebrado. É incrível quanto amamos e perdemos tempo em esconder isso... são as pressões da vida, da moral e de uma ética (?) que nos fazem acreditar. É incrível como sempre nos tolhemos de viver com intensidade essa vontade de expressar, ainda que com infantilidade, esse desejo pelo outro. Amei ver todos os convidados com lágrimas nos olhos, uns com nostalgia, outros com expectativa porque em breve irão participar do ritual... naquele momento eu senti uma ponta de inveja de minha amiga porque ela finalmente estava a realizar um sonho que há tempos alimentou!

 

O amor nos transforma. Não há quem não diga que ele é inexplicável. A gente não escolhe por quem sentir essa afeição tão sublime. Não escolhemos gênero, não escolhemos tipo, não escolhemos nada. De repente os olhos nos pregam uma peça, ou até mesmo um outro sentido qualquer... é como se nosso corpo estivesse pronto para sentir o amor e de repente, sem mais nem menos, a gente ali está: fisgado e totalmente envolvido nessa teia se sensações... há um livro da Lei que diz "...que o homem não foi feito para ficar sozinho", embora em sua fábula original, é uma afirmação que nos diz de como somos: não gostamos de permanecer sozinhos. Ficamos assim dias, meses e até anos, mas de repente nos bate uma vontade e não sabemos de que... é a vontade desse afeto recíproco que tem sua celebração em um ritual de união.

 

Já diz a psicologia que o afeto é uma de nossas emoções básicas, assim como a alegria, a tristeza, o medo e a raiva. Temos, naturalmente, o afeto em nós. Por ser parte de nosso ser, desenvolvemos esse afeto por algo ou alguém tão logo sejamos estimulados. E somos humanos por isso. Na primeira infância pelo brinquedo e pela presença da mãe, depois ao crescermos e convivemos esse afeto se expande e vimos de hora para outra envolvidos nos pequenos amores adolescentes. Depois crescemos, instituímos esse sentimento e acabamos, por fim, com o casamento e o surgir de uma nova família. Condenem-me por isso, mas somos determinados ao amor, como se ele fosse parte de nossa constituição a ponto de não nos separarmos dele...

 

Recentemente eu me vi apaixonado. Foi durante uma viagem que fiz que percebi em mim essa manifestação física do amor: eu desejei ardentemente! Deus, como desejei... era como se quem eu amasse fosse minha razão para existir, para continuar, para ser. Eu me via a todo momento com o pensamento perdido sobre minha paixão, sobre uma esperança de que um dia me visse também em um ritual de acasalamento para constituição de uma nova família... foi maravilhoso! Mas era paixão, infelizmente. O afeto que eu tinha se acirrou em uma loucura contundente: paixão! Foram semanas até que eu percebesse a distância entre um e outro e retomasse em mim apenas o amor, sem a loucura e o desejo e não viver enquanto estivesse longe de quem amava... e eu voltei! Assim como minha amiga, agora casada, voltou e finalmente desposou seu amado!

 

É brega, mas é gostoso. Dá um acalento no peito, uma sensação de que tudo é possível e que temos força para enfrentar o que quer que seja. Os que me chamam à razão não percebem que sentir é diferente de agir... que ter o amor não implica necessariamente em amar... que amar é agir movido pelo sentimento e não sentir. Adoro ser brega e ligar no meio do dia para dizer que tenho saudades. Adoro ser brega e dizer que sinto um grande amor por cada amigo que se aproxima. Adoro ser brega e chorar nos casamentos, rir das piadas que contam e cortar a grava do noite. Adoro ser brega e me perceber apenas humano.

 

Hoje eu sei que não há paixão alguma em mim. Hoje eu dispenso meu afeto a cada palavra que escrevo e a cada amigo que se aproxima. Hoje eu penso que tudo é possível e tenho força para enfrentar o que quer que seja por amor... amor a mim, ao que tenho e a todos que caminham comigo...

 

É só isso, hoje.

 

Beijos,

 

E.