Monday, January 01, 2007

Que venham os tédios!

Por favor, não me culpe por achar que lugar nenhum é meu nessa festa de família. Por favor, não me chame de estranho por eu querer dirigir a mim mesmo e me colocar acima do poder que os outros desejam exercer sobre mim. Não quero me importar com as opiniões externas e tampouco com as lástimas que me dizem ao confessar a mediocridade de suas vidas vazias: são todos vazios porque se colam à imagem que criaram para eles e seguem essa imagem fielmente.

 

Aquele o bonzinho e por isso mesmo não pode expressar sua raiva quando a criança lança seu vômito sobre ele. O outro, simpático, evita dizer à tia o quanto é feio seu vestido de chita... todos comprometidos com a imagem que lhe entregaram, amarrados em seus limites que são impostos pelos outros, sempre os outros!

 

Ah o poder! Sempre o poder. O que faria se não tivesse que pensar no que pensam de mim? O que faria se realmente encontrasse um lugar na festa e me colocasse sob a égide que desenham pela minha inteligência? Continuaria livre? Saberia soltar meu canto com a mesma intensidade e rir de pequenos besouros que rondam a porta de entrada? Conseguiria eu falar com os cães e dar-lhes comida quando todos bebericavam de cervejas e refrigerantes insólitos? Não sei!

 

Então não me culpe, por favor. Não me culpe por blasfemar e afastar a divindade como justificativa para meu erro. Não me culpe por achar o pecado minha expressão natural e encontrar na sexualidade o meu natimorto egoísmo... sim, natimorto e ressuscitado como fênix em cada corpo que olho e almejo para mim, sem dividir, sem pedir, sem libertar!

 

Agora preciso dormir, como sempre. Dormir para acordar para essa nova estação onde tudo é claro e preciso, pois pertence a mim...

 

Abraços,

 

E.