Saturday, September 08, 2007

Retonar e reviver...

É estranho retornar. As ruas não são as mesmas e em cada passo uma memória que insiste em permanecer. Ela nunca esteve ausente, nunca se foi, sempre esteve ali, resistente ao tempo e às modificações exteriores do corpo. As rugas e alguns fios brancos que ainda restam em mim fazem jus ao tempo, ao tempo e à distância que se fez da última vez que lá estive... é estranho retornar.

Não há mais aquele ar lúdico próprio da primeira juventude. Não há mais. Como se a primeira infância, inocente, nunca houvesse passado... nunca houvesse existido e as palavras que outrora soavam tão sábias hoje não passam de jogos sem sentido. Não revejo a magia das vassouras voadoras que habitavam minha imaginação e mesmo aquela senhora idosa, cheia de força e fofocas, não mais está lá à janela como a bisbilhotar a vida alheia: é de seu velório que agora participo. Faz tempo, repito... muito tempo e retornar faz com que o tempo seja maior!

Os pequenos de outrora, ocupados com seus triciclos e caminhões de brinquedo, brindam o cotidiano com seus corpos torneados que despertam desejos indiscretos. Musas que antes escondiam a pureza agora dançam sob olhares contaminados de luxúria... o que se fez da cidade e dos lares que antes permaneciam invadidos pelo mato e pela calmaria dos roceiros? Onde estão os roceiros?

Pois é... estranho retornar e perceber a vida, mesmo com sentimentos que se fazem descobrir... estranho perceber que se finda um estágio e todo destino tem um fim. Estranho retornar e ter saudades, reconsiderar velhos hábitos e velhas atribuições: nada passou!

Calo-me uma vez mais e deixo o som do vento, que ainda é o mesmo, habitar minha mente áspera por novos caminhos...

Beijos,

E.