Tuesday, November 27, 2007

Todo dia ainda é domingo...

Sentava-se e sempre pedia a mesma coisa: bananas, mel e coca cola. Quando eu a via, e sempre eu a via, procurava não transparecer a estranheza que ia em meu peito: às vezes fingia que lia o jornal, outras vezes sorria laconicamente como a desejar "bom apetite"! Era diferente, nos domingos de manhã, observar aquela senhora idosa com coisas tão comuns a todos e que juntas apetecia seu ser. Era feliz com isso!

Na última semana ela não foi. Pensei que talvez se atrasasse, fiquei um pouco mais que o costume na padaria, sentado no mesmo lugar a torcer que ela aparecesse para tornar meu dia tão comum como os outros. Mas ela não veio.

Eram 10h quando tive a ousadia de perguntar ao garçom que sempre a atendia... ele disse que ela se havia mudado e fora se despedir de todos: iria morar com os filhos!

Por um momento me enfureci: como seus filhos poderiam tirar de mim o prazer de observá-la aos domingos? Como tiraram de mim aquela epifania tão doce que rotineiramente habitava meus domingos? Levantei-me enfurecido, paguei e saí...

E.

Os domingos pela manhã

 
Diziam-me que nos segundos que antecedem seu último suspiro toda sua vida passa pelos seus olhos... estranho, não? Eu me senti completamente perdido por esses dias e toda minha vida, de tempo em tempo, passava diante de mim como um filme antigo, daqueles onde o mocinho sempre passa por enormes tribulações antes de salvar a mocinha do vilão... e eu era o vilão, a mocinha e o mocinho!!!
 
Não me salvei a mim mesmo, mas consegui chegar a tempo para evitar que o final se passasse sem que participasse dele. Estou bem agora.
 
Talvez eu tenha algum acesso de boa auto estima e volte a escrever com frequência, a dizer coisas interessantes e ser um ponto legal na vida de alguém. Caso eu consiga, ficarei bem e cuidarei para que minhas linhas cheguem a você, nas manhã de domingo, quando o leiteiro passar.
 
Beijos,
 
E.