Monday, May 19, 2008

Garotos

A noite ainda tem seus doces mistérios, deixo meus pensamentos vagarem perdidamente

enquanto observo atentamente os sabores que invadem a minha mente...

 

Seres vis e grotescos habitam as tumbas mais escuras nas ruas desertas,

vejo os seus desejos emanarem e me perseguirem em silêncio,

conheço as suas vidas,

compartilho das insinuações

e cultuo a malícia que sai de seus espíritos...

 

Ainda exibem uma postura falsa, mentem com jogos e fingem com garotas

são apenas garotos levados,

são apenas aqueles que curtem a solidão e o prazer básico

da sodomia viril...

 

Sentem dores de parto, mostram uma beleza que me seduz, entregam-se por nada

e depois partem com lágrimas nos olhos...

Ainda desconhecem o amor,

Ainda procuram por uma vida que nunca encontrarão...

São meninos,

Garotos levados que tem sua força expressa no sexo

e seus sonhos levados pelo vento!

 

Sonham com meu corpo e o desejam no frenesi em segredo,

Procuram-me em sonhos e torno-me estátua grega,

Felam-me o falo

e alimentam-se do leite de meu corpo.

Amam-me como se eu fosse o deus e os possuísse na força eterna,

Gozam!

Vivem!

 

Ah, meninos, deixem-me ensinar os mistérios do universo

enquanto penetro os seus segredos,

enquanto os amo na noite fria

e os cubro com a luz da lua...

 

A madrugada é bela, os sonhos terminam ao amanhecer,

Farei com que sejam filhos e sintam a proteção do pai,

Que eu seja belo,

Que eu seja pleno,

Que eu seja senhor!

Que eu seja como luz em suas dúvidas da vida...

 

Anjos caídos,

Bandidos varões,

Quero roçar minha língua nas línguas de suas vontades,

e sentir o doce sabor da morte que está envolvendo  sua dor!

 

Meninos,

Partirei,

Acordarão e amanhã continuarão a ser garotos...

 

 

Elton Michael – Março/1996

Sunday, May 11, 2008

Partida

O final é inevitável. Lentamente, assisto Elizabeth se esvair pelos meus dedos e sinto que em breve não verei mais luz em seus olhos. Docemente ela me diz algumas palavras e confessa em um ato sagrado suas transgressões mais sublimes. Sorri. Não vejo tristeza ou dor em seu rosto. Não sinto que há culpa ou qualquer outra emoção de repressão. Ela, envolta em sua liberdade, se vai com ares da rainha que sempre foi.

Um júbilo invade meu peito e canto em silêncio. Talvez tenha me deixado contaminar por sua liberdade, por sua crença na urgência da vida. Não sei ao certo como definir essa sensação em meu peito. Elizabeth constantemente se soltava e se deixava conduzir ao sabor de seus desejos. Rompantes de uma alma jovial! Ela, e só ela, transpassava qualquer obstáculo para satisfazer o pedido de sua alma.

Agora ela fecha os olhos e pende a cabeça ao lado. Como se adormecesse em mim para não ver a lágrima que me corta a face. Ela se foi, digo a mim mesmo. Elisabeth se foi.

E.