Monday, August 31, 2009

Uma nesga de felicidade

Ela tinha as mãos enrugadas pelo tempo, dedos marcados e sulcos profundos na face que denotavam um sofrimento passado. Entrou e sentou-se sem cerimônia. Olhou ao lado, repousou sua bolsa, tomou seus óculos de algum pacote e os colocou, suave. Abriu a sacola que trazia, tirou algum pedaço de pano com agulha e linha e passou a trabalhar, suave. Olhos compenetrados, mãos que rapidamente davam vida a um pedaço de pano, branco. Como seus cabelos, brancos. Como suas unhas e um pedaço de dente que se via no sorriso...

Havia um prazer incomensurável no que fazia, enquanto embalada ao ritmo do vagão se perdia alheia aos dramas alheios que se misturavam aos cheiros do sábado, da vida, da solidão de tantos que se uniam em busca de um destino qualquer, suave e distante.

Chega seu destino. Recolhe seu patuá, guarda na sacola e pega sua bolsa, ao lado. Tira seus óculos e suave desce, em sua estação, em seu ritmo em sua vida...

 

Monday, August 10, 2009

J.

Ainda que eu busque contatos e fatos, nenhum me levará ao sentimento que tenho por você. Ainda que todos me julguem pela loucura de meu peito, ainda que eu seja condenado por invadir sua família... ainda que eu sofra e caia em esquecimento, sei o que trago no peito.

 

Não há motivos que me levem a desistir de você. Não, não há razões que me possam me impedir de amá-lo, de desejá-lo e lutar para que fiquemos juntos.

 

Sim, eu te amo J., te amo muito mais do que eu mesmo imaginava.

 

Até logo, muito logo.

 

E.