Wednesday, September 30, 2009

Apenas até logo

Já fazia tempo que não me preocupava tanto com a beleza ou qualquer outro aspecto externo ao me encontrar com pessoas. Muitas vezes ainda questionava em minha mente se havia algo mais por detrás da imagem, se em nudismo haveria de se revelar algo de extraordinário ou até mesmo bizarro... uma vez foi com um desses que se conhece pela Internet, no momento em que ele se descreveu comecei a criar em mim a idéia de como ele seria sem roupa, pelado e indefeso diante de mim: ri muito! Ele não era de todo magro ou feio no sentido laico da palavra, mas tinha um ar tão inocente quanto viril. Sim, conseguia ser viril e, ao mesmo tempo, perdido em seu corpo esguio e marcado pela ausência de experiência.

 

Mas isso foi antes, quando eu ainda habitava longinquos espaços e acreditava que estava apaixonada. Foi antes de ir a uma festa, em alguma sexta-feira, e ter experiências novas com pessoas novas e ambientes novos.

 

Lembro-me de que cheguei e pedi um dry martini enquanto sentava-me, sozinha, em um canto do bar. Soltei meus cabelos e passei a brincar com a azeitona do copo, distraída e curtindo o som antes de começar a dançar. Foi quando o vi, distante, a fitar-me despretensiosamente. Sorriu como se me fosse interessante, como se me quisesse chamar a atenção quando no fundo eu sequer o reconheceria como humano. Ri. Ri muito do quanto ele se achava seguro de si ao me ver ali, pensando em se aproximar para um papo bobo e sem intenção.

 

Continuei a sorrir e a passar a mão pela minha nuca enquando afastava o cabelo em um sinal de que a bebida fazia em mim algum efeito. Inclinava-me suave e virava o rosto como a procurar algum sinal de lucidez em meu dry martini que aos poucos se esvaía de meu copo. Engoli o último gole e tomei de meu echarpe: fui dançar. Uma boa música, um som animador e passei a agitar-me ritmadamente sem qualquer pudor. Fingia-me como uma dama a se descobrir, mas no fundo provocava aquele que ainda fitava-me sem coragem de se aproximar.

 

Lembrei-me do magro esguio e tímido da Internet, de seu olhar perdido em dogmas provincianos e seu ruborizar quando lhe questionei sobre seu falo. Ele julgava-me ninfeta ou santa, mas eu ria da insegurança que ele tinha de sua beleza quando eu nada mais queria senão conhecer-lhe o sexo. Não, ele não seria belo e nem príncipe, nem rico e nem homem. Era para mim o magro da Internet, perdido e sem chance alguma de ter-me por uma noite sequer.

 

De repente parei de dançar e olhei ao garoto que ainda discretamente me paquerava ao longe. Passei novamente a mão pela nuca e deixei-o se aproximar: ele era magro, usava aparelhos e tinha mãos grandes. Cheirava a colônia nacional, usava jeans nacional e seus cabelos foram cortados em algum lugar barato e sem estilo. Voltei a rir.

 

Não me lembro de palavra qualquer que ele tenha falado e se fui eu ou ele quem deu o primeiro beijo. Ele dizia estudar finanças, ter 25 anos e morar em alguma cidade no interior do estado. Sabia que era apenas uma diversão e passei a brincar com meu echarpe em volta de seu pescoço como em uma dança de sedução. Queria conhecer um pouco mais daquele corpo e depois esquecer-me dele, do magro tímido da Internet e do amor que deixei passar! Ele nao entendia a mensagem, embora seu corpo demonstrasse vida e seu talo rijo me desejasse claramente. Toquei-o. Avancei e ele, desnorteado, perdeu-se em mim...

 

Em poucos minutos um táxi nos deixava a porta do hotel e ele, ansioso, devorava-me, finalmente, com os olhos. Devorava-me avidamente sem tocar-me, apenas com o olhar, apenas a exibir seu rijo sexo que aspirava cada gota de mim. Calei-me e fechei os olhos enquanto o elevador subia em direção ao quarto. Hesitei por um momento ou dois e, quando paramos, antes mesmo que abrisse a porta de seu quarto, virei as costas e saí em silêncio pelo corredor. Ele seguiu-me, arfante, perguntando-me porque iria deixá-lo ali se eu mesma fui quem quis ir até lá. Disse-lhe que havia mudado de idéia e com um aceno e um beijo no ar deixei-o ali, parado, corpo teso e sem esperança qualquer de conhecer-me...

 

Bea