Saturday, April 09, 2011

E então...


Resolvi descer as escadas e ganhar a rua. Rever pessoas, andar pelos becos e sentir o cheiro doce da civilização. Encontrei-me com aquele branco que canta músicas sob minha janela, vestido de roxo e inconformado com a derrota do corinthians. Nada pude fazer senão me aproximar e sorrir com o que vi. E nada vi, certamente. Estou sonolento pelo tempo que passei cercado em minha toca. Não me acostumo novamente com essa vida que insiste existir fora de meu apartamento. Não reconheço isso.

Paro em um boteco qualquer, sento-me e peço uma cerveja acompanhada de uma porção de amendoins. Sorrio por ver que ao meu lado cantam um pagode qualquer e ali perto avisto um do meu time de futebol. Ele se aproxima e pergunta porque tenho faltado tanto, ele se aproxima e puxa uma cadeira. Depois mais um e logo estou rodeado por todos, com porções de calabresas e outras cervejas abertas. Contamos piadas, acompanhamos o ritmo do pagode e saboreamos as pequenas que se aproximam a dançar.

Sinto-me vivo, e estranho isso. Sinto-me, de repente, como parte da roda, do samba, da cerveja e do amendoim. Esqueço-me de meu apartamento, abraço com mais força a nega que se sentou ao meu lado e deixo acontecer. Prometo que irei ao futebol, prometo que dançarei, prometo...

É uma bosta mesmo isso, não?

Beijos,

E.