Wednesday, September 26, 2012

Hoje é dia do Perdão

O circo sempre foi um acontecimento marcante durante minha infância. Lembro-me de que meu pai sempre procurava um tempo para que fossemos todos juntos, ele e meus irmãos, ver os animais e as atrações que sempre nos deixava sem fôlego, loucos na primeira fila, imaginando como que cada um daqueles personagens conseguiam ser mais e mais interessantes. 


O meu irmão do meio, Marcus, adorava se aproximar dos animais selvagens e se deliciava em silêncio, com os olhos brilhantes, quando um deles soltava um ou outro som característico. Eu, ah, eu ria com os palhaços e pensava em ser como os equilibristas que ficavam no alto sobre uma fina corda...


Incrível como essa nostalgia nos envolve por completo quando permitimos. Um despertar de simplicidade, sem mácula, que aquece o peito e enche os olhos com lágrimas de gratidão. É bom ser grato e celebrar um passado que nos marcou tão bem. E o que nos tornamos, hoje, em função da alegria de ontem... e a alegria e hoje, de agora, desse momento em que recobro de mim o que sempre fui eu.


Falta-me razão para encontrar algum sentido em tudo isso. Não é preciso ter sentido. Não é preciso explicação, apenas um sentir forte que faz com que esse dia de Perdão me recorde do bem e do prazer do bem. Que nos recorde do quanto fomos simples e, na simplicidade, encontrávamos a paz. Simples. Sem máculas de rancor ou de arrependimentos. Apenas éramos. E somos!


Hoje é dia do Perdão.


O circo onde havia o equilibrista é uma lembrança boa de quando ríamos por qualquer coisa e mesmo contrariados por sair do local mágico, guardávamos o bem que sentíamos e nada mais importava. Levávamos apenas a alegria do momento e não as horas nas filas ou as pipocas perdidas ou as trombadas para conseguir o melhor lugar. Todo lugar era o melhor porque meu pai e meus irmão estavam lá e ríamos juntos.


Hoje é dia de Deixar.


E o palhaço com seu riso me fazia simples. Eu me sentia simples. E gargalhava simples porque estava livre. E, naquele momento, nada era mais importante que rir. E o momento era pleno porque eu fazia o que era mais importante. E deixava para trás ou para depois o que não fosse importante. E deixava de lado o que não fosse importante. E deixava o que estava fora do circo o que não era do circo.


Hoje é dia de Amar.


E amor era o que tinha comigo e com todos. Amor pleno e sem questão. Sem condição. Sem conferir ou confiar... era apenas amor. Hoje, nesse dia branco que nos saúda, quero rever o circo e rir. Rever em mim o que tenho de mim, de amor, de amar.


Por enquanto, enquanto... vou celebrar: hoje é dia do Perdão. Hoje é dia do Circo. Hoje é dia de lembrar quem somos e o que temos de melhor.


Kundú