Friday, April 26, 2013

Uma mensagem de hoje - Por D.

Irmãos,

 

Ainda se perde muito tempo com o que não importa. Muitas questões não precisam de uma resposta racional, são entendimentos que se ‘sentem’ profundamente e que fazem a diferença no Caminho.  O entendimento tem a ver com a compreensão de um Todo que é maior do que simples incorporações estereotipadas, do que palavras sobre problemas diários ou de sentimentos confusos. O entendimento tem a ver com o domínio do Vazio e do encontro com o Todo, através da manifestação consciente de sua Essência. Uma Essência que se sobrepõe o Vazio (Ego) para Ser (Essência).

 

Uma doença, um desemprego ou um coração partido são condimentos palatáveis para compreensão do Vazio e manifestação do Todo. A maioria dos problemas serve apenas para que uma condição divina se manifeste através da condição humana. As pequenas provas por que todos passam, diariamente, são meios para conduzi-los ao engrandecimento, ao crescimento, ao aprendizado do que é Divino (do Todo), preenchendo o Vazio com esse Divino que se manifesta em Essência.

 

A função de um orientador espiritual desencarnado, em nível superior, ao incorporar nos ambientes das mais diversas religiões,  é garantir que essas lutas e revezes estejam cumprindo o papel de lapidação do Ego e preenchimento desse Vazio pela Essência. Em outras palavras, que esses revezes estejam contribuindo para que o Ser (espiritual) esteja se tornando o condutor do veículo, expressando o que é de natureza divina.

 

Nesse contexto, o sentido da vida é servir. A vida é uma possibilidade de serviço e serviço pelo Divino. Qualquer outra atividade que não seja de serviço é prescindível. Somente através do serviço se poderá servir – no sentido de ser digno de alguma coisa.

 

O lema do planeta nessa nova era que se inicia é servir para servir.

 

E o que é o serviço senão permitir que a Essência – que é Divina – possa se expressar plenamente?

 

E o que é a expressão dessa Essência senão cumprir, cada um, o papel que lhe cabe na Criação?

 

E isso não seria permitir que o Divino se expresse através de cada um?

 

E, ao permitir o Divino se expressar a partir de um, esse um não se torna ele mesmo o próprio Divino, isto é, “um com Deus”?

 

Ninguém vai ao Pai senão por Mim, disse uma vez o Nazareno. E não é o símbolo do Nazareno o mesmo símbolo do Cristo Interior, que está em cada um e se chama de Essência?

 

Como ir ao Divino (Deus) senão através do centro do Divino que está em cada um?

 

Irmãos, os mensageiros desse novo tempo não virão operar milagres de cura ou prosperidade. Eles virão como obreiros do Caminho para transformar a cada um naquilo que deve ser, na execução do papel que lhe cabe na Criação. O teatro nada é senão artifício ultrapassado. O tempo é outro e o momento é de plantar em campo fértil para colher e reproduzir mais e mais de uma Palavra viva do tempo vivo.

 

Ainda se perde muito com o que não importa. É tempo de sentir e agir, não de questionar e duvidar.

 

É tempo de sentir. E sentir com Amor.

 

É tempo da invasão do Amor e com esse Amor brilhar a Essência, a Luz Divina, o próprio Cristo Interior.

 

É tempo de servir, de se permitir servir: o trabalho nobre através do autoconhecimento e do aperfeiçoamento.

 

Não há tempo para questionar. É tempo de transformar e transformar com o Amor.

 

Os mensageiros já chegaram e semearão em campo fértil. Seja cada um o campo fértil onde a Semente da Vida irá reproduzir os frutos do espírito.

 

Um abraço fraterno,

 

D.

Thursday, April 25, 2013

O Não-Ser e o Nada

 

Hoje o dia está mais claro.

 

Há um cheiro estranho que me faz pensar no Nada. 

 

Como se houvesse um novo tempo. Um tempo onde o Nada pode ser compreendido. Onde o novo Abismo nos leva a uma queda sem fim, em direção a um novo que ainda não consigo definir.

 

Por que aqui estamos? Por que aqui vivemos?

 

Musifin segue ao meu lado e suspira sons inaudíveis em meu ouvido. Não consigo me ligar a ele e não sei como compreender essa falta de conformismo que me abarca o Ser. O Nada me provoca e sinto-me com não pertencimento. Eu não pertenço ao Nada.

 

Há um novo ânimo, sinto, sem que eu compreenda o que isso tudo significa. Sem que eu compreenda o ânimo que se imiscui com esse pensar constante na falta de sentido. O pensar mental. Um pensar que questiona a tudo e a todos sem que haja uma resposta a tudo. Há algo além do Nada. Há algo que suprime o entendimento e nos move animadamente. E nos faz sentir. E me faz sentir. E me faz ser.

 

Ele, Musifin, me faz pensar que há mais do que apenas seguir com a vida e seus sabores. Há algo mais do que terminar um curso, conseguir um emprego e se acasalar. Há algo mais audacioso do que simplesmente o não-ser no meio onde todos não são. O não-ser é apenas comum e existe. O não-ser existe e caminha na mediocridade, pois ele também é medíocre. O não-ser possui um sentido estranho que é a própria falta de sentido.

 

E o que é esse algo ou o sentido? E o que nos prende? E que vida é essa vida, onde o sentido não é perceptível aos sentidos? O que é e o que faz sentido. Musifin, de uma vez por todas, diga-me sobre o sentido!

 

Em vão questiono. Ele não me responde.

 

Musifin se cala e eu fecho os olhos, em uma frustração de quem busca algo além da percepção, em uma frustação que vem de sempre, em uma procura de sempre por algo que preencha um vazio natimorto. Há algo de fantástico na falta de sentido e nesse vazio. O vazio do não-ser que se busca ser. O vazio de o Nada que se esvaiu profundamente de tudo o que não era para que venha a ser...

 

Volto-me para dentro e no silêncio desse Nada, vejo uma luz tênue que se forma. Uma luz de percepção, de quase compreensão. Uma luz que ultrapassa o acasalamento, o emprego e o filho. O carro novo, a cerveja e os amigos. Uma luz sutil e que brilha entre a sombra do vazio. Percebo que o vazio é, gradativamente, preenchido por essa luz... e essa luz invade-me para expulsar o vazio de si mesmo, o vazio do não-ser e do Nada que por tanto tempo se apoderou do espaço.

 

Ela, a luz, permite que eu enxergue Musifin em um sorriso claro. Ele contempla meu deslumbre e sorri, condescendente, como se há tempos esperasse que eu compreendesse. Calo-me, pois há uma nova dor que desconhecia. A dor do romper, do renascer, do compreender.

 

A luz segue seu caminho e apenas deixa uma sensação de que tudo será diferente. De que tudo, como agora escuto de Musifin, está apenas a começar...

 

Francisco