e Carmem...
Era tarde quando me sentei na poltrona, recostei-me e pensei em distrair-me durante o trajeto de volta. Levaria um tempo ou dois até que chegasse e, após a toalete noturna, estivesse novamente a repousar em meu leito. Mais um tempo e seria um novo dia, quando sol me saudaria como convite ao trabalho e tudo se iniciaria, como sempre. Em meio ao burburinho, vejo quando ele se aproxima e se senta na poltrona ao lado. A sua frente, o outro se equilibrava com as bolsas de fraldas, mamadeiras e outros tantos apetrechos do pequeno. Era Carlos. Ele e Carlos que distraidamente riam a minha frente do dia que tiveram. O filho, no colo dele, dava sinais de que já dormia há um outro tempo. O chacoalhar do trem embalava seu sono, quase o meu sono, quase o nosso sono. O corpo relaxava e movia-se levemente a cada parada nas estações seguintes. Carlos sorria, mesmo em pé, embevecido pela conversa que mantinha com o outro. Eram felizes e completos no que diziam, sobre o que diziam e como dizia...