A Dança da Virgem
Chegou de madrugada, sem cerimônia, de um jeito simples e devagar. Sentou-se na beirada da cama, ficou em silêncio me observando, calada, olhando até que eu pudesse me dar conta de quem era. Aos poucos, chamou outras para se sentarem ao lado. Ela, a Velha, tinha um ar sereno de quem tem o tempo ao seu favor. Sem qualquer palavra, entendi que me pedia para apaziguar meu coração e aceitar o tempo. Aceitar o que chega e o que vai... aceitar o ciclo do tempo em que ainda estamos presos. Seu nome era Inanna, como a deusa. Pediu-me calma, sem qualquer palavra pronunciar. Depois ela me apresentou a Grande Mãe, que sorriu e deu o nome de Maria. Com um véu fino sobre o rosto, disse-me que preciso perdoar a mim e aos outros, pois fazemos o que podemos com o que temos, no tempo que temos. Abraçou-me e disse para eu lembrar do mar, de onde a vida veio e para onde a vida vai... emocionado, deixei-me embalar em seus braços, sentindo um amor profundo por tudo que crio como meu. Ela se levantou e...