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Mostrando postagens de abril, 2008

Meu cão

  Está tarde e eu preciso soltar o meu cão. Meu cão misógino e uranista, meu cão. O cão que late na noite fria e escura. O cão que não enxerga e nem pertence ao beco escuro. Preciso soltar o meu cão que ladra, preciso soltar o meu cão. A noite está absorvendo o meu pensamento e fazendo-me sonhar, irracionalmente. Está tarde, já disse, preciso apagar todas as luzes e repousar o meu corpo. Vou perseguir um gato. O gato. Vou soltar o meu cão, e buscar a resposta que quero. Está tarde, agora, preciso soltar o meu cão.   Lucas D'Antonio, 09/julho/1997

Corre

Não posso impedir que os bandidos toquem em sua pele e tampouco posso apagar sua lágrima quando não verdadeira ao chorar. Não, eu não tenho esse direito. Todos dormem durante a noite em que procuro essa nova geração de ursos que invadem minhas ruas, todos dormem enquanto profano esses túmulos sagrados e arranco da morte o direito de escolha... todos dormem! E não posso impedir que você seja apenas mais um que dorme ou habita as ruas hibernando sua índole... Não posso impedir que escolha ser mártir e queime-se a si mesmo na fogueira que criou com mentiras e incestos. Não, eu não tenho esse direito. Não posso condenar sua mãe por amá-lo mais que a si mesma, não posso condenar seu pai por não enxergar a verdade através do vidro que existe em seu peito, não posso matar seu irmão que faz de seu corpo o depósito de seu prazer. Não, eu não tenho esse direito. Cai a noite e nem velas e candelabros afastam a escuridão das ruas, onde brincam meninos nus que carregam brasas em seus corpos, por ...