Corre

Não posso impedir que os bandidos toquem em sua pele e tampouco posso apagar sua lágrima quando não verdadeira ao chorar. Não, eu não tenho esse direito. Todos dormem durante a noite em que procuro essa nova geração de ursos que invadem minhas ruas, todos dormem enquanto profano esses túmulos sagrados e arranco da morte o direito de escolha... todos dormem! E não posso impedir que você seja apenas mais um que dorme ou habita as ruas hibernando sua índole...

Não posso impedir que escolha ser mártir e queime-se a si mesmo na fogueira que criou com mentiras e incestos. Não, eu não tenho esse direito. Não posso condenar sua mãe por amá-lo mais que a si mesma, não posso condenar seu pai por não enxergar a verdade através do vidro que existe em seu peito, não posso matar seu irmão que faz de seu corpo o depósito de seu prazer. Não, eu não tenho esse direito.

Cai a noite e nem velas e candelabros afastam a escuridão das ruas, onde brincam meninos nus que carregam brasas em seus corpos, por onde passam carros que pagam por míseros segundos ao lado dos falsos demônios que criaram em suas fantasias. Meninos demônios, anjos palhaços que carregam no pescoço o símbolo da inocência perdida, da idade do erro e do pecado.

Corre agora antes que o mundo novamente se acabe em água, lavando seu espírito e tomando o seu último suspiro de vida. Corre e deixe o fogo de seu corpo se apagar com o tempo.... corre, corre, corre....

Laura P.

(Nucis, vot. Vacation)

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