Ele, o demônio
Hoje meu demônio me visitou novamente. Chegou em silêncio, sentou-se ao meu lado e permaneceu... como sempre, não interagia, mas ali estava, altivo e completo. Eu entendia sua presença, entendia sua manifestação quando meu peito estava repleto de vazio. Ele, o demônio, não era o vazio e, tampouco, habitaria meu vazio. Ele, o demônio, era o que eu traria para evitar o vazio sem perceber que ele sempre se esquivava dessa tarefa: a ele não cabia preencher o que não lhe pertencia. Foi uma semana intensa, comecei a dizer. Ele, o demônio, acenou com a cabeça como se quisesse que eu continuasse a falar. Foi uma semana intensa, repeti. Os desequilíbrios emocionais me trariam rompantes de raiva e tinha de me conter para a ninguém ofender. Em alguns momentos, minha melancolia tomava corpo e me afundava em um sono intenso de horas a fio. Ele, o demônio, continua impassível e nada dizia. Seus olhos fitavam-me como se me perscrutassem, mas não me sentia incomodado. E continuei a falar. E continue...