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Sabia que em alguns minutos seria o fim. Aquele incômodo seria finito e se sentiria leve e em maior paz. Fechou os olhos e as lágrimas caíram livremente. Um pequeno soluço e a certeza de que tudo estaria bem. Resignado deixou-se conduzir. Nu sobre a mesa fria o pulsar tomava fôlego e outras mãos seguravam as suas. Outras mãos tiravam-lhe o sono, as veias, o soro e algo para que não sentisse tanta dor. Estava sóbrio. Sóbrio e lúcido como antes. Sóbrio e cheio de uma esperança viva de que em alguns minutos seria o fim. Talvez não mentisse mais. Não diria a si mesmo que nunca aconteceu. Não diria de problemas desnudos, criados em sua imaginação quando negava sua intenção. Quando dizia que era farsa a realidade que sempre teve, o sentimento que sempre teve e a vontade que sempre negou. Lembrou-se da primeira vez. Lembrou-se de quando se concebeu. Do coito e sua entrega plena àquele que o tirou das trevas do medo. Das trevas da dúvida do que era e sempre foi. Suas comparações esdrúxulas che...