Neon
Há um vento que entra pelos buracos de minha janela que faz com que eu pense no que vou escrever. É um vento quase frio, quase solitário, quase como uma brisa carente que viaja milhas e milhas para encontrar repouso em um lugar qualquer... Com ele vejo pequenas luzes coloridas ao longe, pessoas perdidas em seus pensamentos, pessoas que sonham com as promessas de um novo começo após as eleições e outras tantas que não entendem que os anos passam, simplesmente. O néon daquele anúncio do outro lado ilumina a parede de meu quarto: ele tem vida por um instante, quando projeta na tela fria de meu quarto a sombra de seres que habitam a noite metropolitana. A tela fosca pintada de branco, como os fantasmas que vagam, buscam abrigo, sonham e choram livremente! Ah, a metrópole. Um ano mais velha, quase uma senhora que abriga notívagos em seu seio... Estou bem. Estou tranqüilo, repito a mim mesmo. Como se eu pudesse criar um estado de consciência onde todo o medo que tenho pudesse fugir pelos bur...