Nem precisa...

Ele se chama Ailton e veio do Piauí há alguns anos. Conseguiu o serviço de zelador aqui no prédio e substitui a síndica quando ela não está. Ele é baixo, tem uma barriga enorme e exala um cheiro horrível como se sempre estivesse sem meias.

Não gosto como ele me olha. Parei de cumprimentá-lo e de chamá-lo pelo nome. Refiro-me, quando necessário, como moço, como "ou", como qualquer coisa do gênero... Já cheguei a chamá-lo de "coisinha". Ele não sabe que eu o ignoro, pois não haveria de ter desenvolvido alguma inteligência para tanto. Mas eu não me importo, sinto-me realizado por ignorá-lo e passar como se não existisse.

Ontem eu cheguei e estava completamente transtornado pela linguiça que comi na madrugada. Refiro-me ao alimento, certamente, não ao que imagina ser conotação sexual. Pois bem, estava muito mal que terminei por me esquecer que o ignorava. Cumprimentei-o e o chamei pelo nome. Ele me respondeu com um aceno, sem entender se realmente eu estava ali. Vomitei sobre a calçada, abri a porta e entrei...

Concluí que além de mal cheiro, ele é surdo...

Até logo,

E.

Comentários

Anônimo disse…
auhauha, muito bom seu blog!

Lembra de mim? Trabalhei no mesmo predio que vc...

Um abração!!!
Anônimo disse…
Ainda existe um pouco de bondade em você. Na verdade você nunca o ignorou porque porque ele sempre te incomodou.

Quando você se conscientizou do seu inconsciente, você vomitou.

E o Ailton foi quem sempre te ignorou.

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