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Mostrando postagens de julho, 2022

Mefistófeles e o encontro no deserto

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E então ele me perguntou, nesse deserto, quem eu era. Não, minto, antes, ele me perguntou se eu sabia quem eu era, se eu sabia porque estava ali. Eu me assustei, fiquei calado um momento ou outro, em dúvida sobre a própria jornada. Como se aquela pergunta, simples e direta, me trouxesse um calafrio e um medo profundo por não saber responder - embora a resposta sempre estivesse aqui, clara como a luz do sol escaldante do deserto, onde eu fugia de mim para não me tornar quem sou. Ele riu, como Mefistófeles, e caçou da minha perdição. Rodopiou pelo ar, levantando areia, dizendo que eu nunca sairia dali negando minha natureza... ele riu novamente, uma gargalhada dura que me fazia cair de joelhos diante da grandeza da minha alma, aquela que me conduziu ao deserto para jornada de auto descoberta de mim. Ah, minha alma, minha alma... porque me permite ver o inferno se ainda me assusto com as chamas de fogo que me queimam a carne.  Eu clamava e ele ria de mim. E repetia que eu fugia de mim...

Ser Mulher - Tornar-se Mulher

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Existem vários mitos do feminino, tantos quantos há mulheres para vivenciá-los. Eles podem ser agrupados em grandes tipos e serem representados por divindades em todas as culturas, como a sedutora Vênus, que nasce pura, ou a guerreira Artemis que carrega a sabedoria. Essas mesmas características estão em Ishtar, em uma outra época e cultura, ou em Matamba e Oshun nos mitos africanos. Exemplos para falar de apenas algumas das características do feminino, riquíssimo e vasto com lendas que envolvem desde as senhoras do destino à Grande Mãe que trouxe vida  todo planeta. Musas, senhoras, dona do mistério, guerreiras, símbolos do poder em todas as culturas: eis uma pequena fração do que é o feminino! Reconhecer o próprio feminino é tomar posse do próprio poder, que é criativo, transformador, regenerador, destrutivo e condutor. Conectar-se com os próprios ciclos e com os ciclos do planeta intensifica o poder e a sua expressão, como a Terra escurece-se no inverno e ressurge no verão, al...

A solidão e a liberdade

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Não há liberdade sem conhecer a solidão, sem saber quem é você quando há nada e ninguém que amarre seus pés impedindo a caminhada. A solidão não é um caminho de dor e sofrimento, é o reconhecimento da capacidade de escolha, sem se obrigar a satisfazer a um Outro que pede, ainda que em silêncio, que você seja de uma forma específica, seja uma pessoa específica, tenha um comportamento específico. A solidão liberta quando você se enxerga capaz de agir por si e somente por si, sem que haja qualquer justificativa moral ou ética diferente dos seus próprios valores... valores seus, somente seus, adquiridos ao longo da vida, por influência social e familiar, mas que se transformam em algo seu, consciente, totalmente individual... quem age pela própria ética, também é livre. Quem obedece por medo ou necessidade de pertencer, está com a alma aprisionada na escuridão. A dependência emocional, a necessidade de pertencimento, as amarras que fazem com que suas ações sejam limitadas e seu querer seja...