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Mostrando postagens de dezembro, 2008

Para pensar...

Homens agindo como mulheres. Homens querendo estar com outros, tocando-se uns aos outros. Estes pervertidos roçando-se uns nos outros. Tocando-se uns aos outros. Mãos másculas... tocando os cachos de cabelos balançantes. Um cigarro ocasional após o barbear. As graves vozes de barítonos... suspirando, sussurrando... Eles se abraçam com fortes braços masculinos, abraçam outros. Apertados.

A feia

Há tempos não se via no espelho. Não se sabia gorda ou magra, alta ou baixa. Por não se enxergar, esquecia-se de si mesma e do mundo: e essa era a grande paz de seu espírito! Sentia-se suficiente em si, não se relacionava com os outros e, por isso, experimentava a solidão singularmente. Era calada. Se lhe falavam, respondia através de monossílabos; se não, permanecia por dias trancada em seu mutismo, com nada a se envolver ao seu redor. Essa era a sua paz que a invadia e a desnudava por se acreditar cega. Fizeram-na acreditar, por insistência, que recobraria a consciência de si mesma ao enxergar. Com a luz a lhe invadir novamente a retina, poderia mudar o seu destino. Aceitou para que lhe permitissem o seu silêncio, enquanto esperava. Quase muda, tomou óculos de avançado grau para que enxergasse como uma garota de sua idade. Não compreendia a necessidade de ser apenas mais uma garota, mas assim se deixou conduzir. E foi então que se descobriu feia. Reconheceu-se magricela, branca como ...