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Mostrando postagens de maio, 2010

Ainda o encontro

Não me lembro sequer do nome. Ele comentava sobre sua avó, seu pai que ficara adoecido e até mesmo das idiossincrasias que o faziam tão lúdico diante dos meus olhos. Os caracóis enegrecidos, que radiavam sua origem italiana, atiçavam os desejos de minha mente e meu corpo aspirava compenetrar-lhe no âmago.   Exalava o cheiro de sua elegância e ostentava a beleza dos seus dias juvenis. Dias onde visitava tios, passava os natais em família e acompanhava sua avó em terços pela saúde do carro antes da viagem. Bons tempos, seriam. Sua tez delicada e seu sorriso franco denotavam a nudez de seu espírito. Amei-o no primeiro instante e ofusquei-me com seu brilho. Levantei-me e toquei seu corpo.   De súbito minha fantasia perdeu-se. Seu beijo não me arrebatou e não senti mais o cheiro doce que emanava do íntimo... ele queria a fera em mim e lutou para libertá-la. Ele se tornou como meu fantasma e tornamo-nos amantes, na sombra, com meu pensamento distante fora de mim.   ...

O encontro

Foi uma tarde feliz, quando chegamos. Foi uma tarefa difícil de se cumprir, quando nos vimos. Agora, em silêncio, percebo o quanto era preciso e ainda o será.   Espero que ele esteja bem onde quer que vá. Espero que ele veja luz por onde passar. Que encontre paz.   Vamos nos ver novamente, um dia. Vamos sim, eu sei. Ainda que tenhamos o mesmo escrúpulo, medo, fobia. Ainda que nos percamos novamente, nos encontremos depois, deixemos de lado o pesar e a culpa.   Foi um encontro feliz, acredito.   Foi um momento feliz, ainda sei.   Até breve, eu lhe disse. Vamos nos ver novamente, um dia. Sem culpa. Sem medo. Sem jogos.   Até lá eu penso na tarde feliz, o encontro.   E.