Ainda o encontro

Não me lembro sequer do nome. Ele comentava sobre sua avó, seu pai que ficara adoecido e até mesmo das idiossincrasias que o faziam tão lúdico diante dos meus olhos. Os caracóis enegrecidos, que radiavam sua origem italiana, atiçavam os desejos de minha mente e meu corpo aspirava compenetrar-lhe no âmago.

 

Exalava o cheiro de sua elegância e ostentava a beleza dos seus dias juvenis. Dias onde visitava tios, passava os natais em família e acompanhava sua avó em terços pela saúde do carro antes da viagem. Bons tempos, seriam. Sua tez delicada e seu sorriso franco denotavam a nudez de seu espírito. Amei-o no primeiro instante e ofusquei-me com seu brilho. Levantei-me e toquei seu corpo.

 

De súbito minha fantasia perdeu-se. Seu beijo não me arrebatou e não senti mais o cheiro doce que emanava do íntimo... ele queria a fera em mim e lutou para libertá-la. Ele se tornou como meu fantasma e tornamo-nos amantes, na sombra, com meu pensamento distante fora de mim.

 

Meu fantasma foi domado pela fera. Debateu-se inutilmente enquanto, com fremência, possuí seu corpo e utilizei-me de seus atributos. Sua beleza tornou-se nauseante e seu ar lúdico insolente aos meus olhos. Era a fera em mim!

 

Por um momento a fera apossada de meu corpo parou. O pequeno debatia-se, mas calou-se quando o clímax instaurado o livrou de mim. Partiu. Com suas lembranças, seus caracóis e sua elegância familiar...

 

E.

 

Jun-24/2006

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