Postagens

Mostrando postagens de janeiro, 2012

Saudades de Rina

Há dias que tenho pensado em Rina, minha amiga que é puta. É uma lembrança suave, de quando nos falávamos e ríamos por horas a fio. Havia uma intimidade estranha entre a gente, pois enxergávamos muito em comum onde nada seria possível de nos unir. Ela vendia o corpo, gostava de rapazes e se deitava com eles mesmo quando não os desejava. Eu, em plena adolescência, buscava mulheres mais velhas, passava horas na academia e com os livros de filosofia. Uma adolescência comum, pode-se dizer. Mas não era. Meu desejo por Sartre e Nietzsche só demonstravam minha estranheza... ela, Rina, preferia leitura de bares baratos, com cheiro de ratos e cigarros, onde se amontoavam os homens. Houve um filme que assistimos juntos. Dizia sobre amores e restos humanos. Os humanos com quem ela se deitava. Os restos de que eu lia. A união de opostos tão iguais quando incompreendidos: era o que nos unia. Hoje lembrei-me ainda mais dela. Um amigo (novo) solta seu riso como ela. Esse amigo que questiona os hom...