Postagens

Mostrando postagens de setembro, 2020

Adormecido

Naquele dia, resolveu não dormir. Tinha medo de seus sonhos, das noites em que visitava lugares que nunca havia conhecido. Naquele dia, fez um café preto, pegou seu cigarro e pensou em nada, pois nada havia para se pensar. O silêncio se instalou e misturou-se à fumaça de seu cigarro. Calado. Café frio e a rua deserta abaixo de sua janela. E o medo dos sonhos, da noite e do desconhecido que vinha visitá-lo. Lembrou-se da última conversa com sua pequena: ela o abandonou por conta do tédio. Dizia que ele nada seria, pois o tempo passava sem que algo fosse possível de ser feito para mudar. Sentiu-se abandonado pela pequena. Sentiu-se solitário, vazio, silente. Sentia falta de açúcar em seu café e de um cigarro de marca melhor. Sentia falta de gente, mas era em si mesmo que existia ninguém, nem ele mesmo. O assobio do guarda noturno pareceu despertar-lhe do transe. Demorou reconhecer onde estava, sua janela e sua rua. De repente, viu seu gato subindo em qualquer lugar para saltar e queb...

Dois de Copas

Amou-se através do olhar do outro. Viu-se através do olhar do outro. E então, amou o outro. Enquanto o outro, todavia, não sabia, ainda, se amar. Acordou, finalmente. Sentia-se vivo e, pelo o afeto que nasceu, também novamente nasceu. Tinha novos sonhos e seus objetivos eram plenos. E puros. E intensos. Por agora, na descoberta e na verdade, o tempo rege o tempo... e o destino, ah, esse tal destino, deixa de ser porque a consciência acontece. E tudo segue... Laura P.