Adormecido
Naquele dia, resolveu não dormir. Tinha medo de seus sonhos, das noites em que visitava lugares que nunca havia conhecido. Naquele dia, fez um café preto, pegou seu cigarro e pensou em nada, pois nada havia para se pensar. O silêncio se instalou e misturou-se à fumaça de seu cigarro. Calado. Café frio e a rua deserta abaixo de sua janela. E o medo dos sonhos, da noite e do desconhecido que vinha visitá-lo. Lembrou-se da última conversa com sua pequena: ela o abandonou por conta do tédio. Dizia que ele nada seria, pois o tempo passava sem que algo fosse possível de ser feito para mudar. Sentiu-se abandonado pela pequena. Sentiu-se solitário, vazio, silente. Sentia falta de açúcar em seu café e de um cigarro de marca melhor. Sentia falta de gente, mas era em si mesmo que existia ninguém, nem ele mesmo. O assobio do guarda noturno pareceu despertar-lhe do transe. Demorou reconhecer onde estava, sua janela e sua rua. De repente, viu seu gato subindo em qualquer lugar para saltar e queb...