Feliz o que mesmo?
Tenho uma sensação estranha, Wilson. Como se a saída do ano e o início de uma nova fase não fosse o suficiente. E já faz tempo que o ano começara. Como se eu precisasse tomar ar puro e mesmo por aqui, na USP, o ar se pesasse com promessas alheias que me enchem de tédio e insatisfação: desisti de confiar nessas promessas e de olhar aos outros com condescendência. É uma sensação estranha. Fico a procurar um rosto para reconhecer o motivo dessa sensação e me perco em um exercício inócuo: o que faria se não estivesse nessa procura? E quem seria se soubesse o que procuro? E como reagiria se encontrasse o que procuro? Volto a ter a mesma sensação estranha e o ar continua pesado pelas falas absurdas do campus. Aos poucos ele se contamina de fadinhas coloridas que com asas cintilantes me convidam a um passeio fantástico onde borboletas e abóboras conversam como gente grande. Aos poucos vejo os fantasmas de meus mártires e essa loucura me invade completamente. Sim, tornei-me um már...