Café com creme e croissant de manteiga
Não tenho certeza de quando comecei a amá-la. Mesmo antes de conhecê-la já a tinha em um amor único dentro de mim. Era como se eu mesmo não existisse antes de descobrir que a amava, como se não me pudesse considerar um ser. E tudo há de se ter uma definição clara, uma idéia de existência, de ser. Amar Hélène era minha idéia de ser, um fim em si, não um meio. Eu tinha uma certeza em si, uma certeza de que havia um motivo para sobreviver e viver. Eu a vi uma única vez: usava de um vestido curto de verão que acompanhava o balançar de seus cabelos ao sabor do vento. Azul. Eu me sentava de costas em direção ao Sena e ela a poucos metros de meu campo de visão. Senti-me atraído pelos seus olhos vítreos, verdes e penetrantes como esmeraldas. Ao atendente ela pediu um café com creme e croissant de manteiga. Sua voz doce com um sotaque peculiar recordou-me dos carnavais em Marseille e da beleza das ruas. Não sabia seu nome, mas, imediatamente, como em um retorno à Troie, a imaginei Hélène. O sol...