Mais dos domingos (todo dia agora é domingo!)
[Novembro, 27 -2007] Sentava-se e sempre pedia a mesma coisa: bananas, mel e coca cola. Quando eu via, e nem sempre eu via, procurava não transparecer a estranheza que ia em meu peito. Às vezes fingia que lia o jornal, outras vezes sorria laconicamente como a desejar "bom apetite"! Era diferente, nos domingos de manhã, observar aquela senhora idosa com coisas tão comuns que juntas apetecia seu ser. Na última semana ela não foi. Pensei que talvez se atrasasse, fiquei um pouco mais que o costume na padaria, sentado no mesmo lugar a torcer que ela aparecesse para tornar meu dia como os outros. Mas ela não veio. Eram 10h quando tive a ousadia de perguntar ao garçom que sempre a atendia... ele disse que ela havia mudado e fora se despedir de todos, iria morar com os filhos! Por um momento me enfureci: como seus filhos poderiam tirar de mim o prazer de observa-la aos domingos? Como tiraram de mim aquela epifania tão doce que rotineiramente habitava meus domingos? Levantei-m...