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Mostrando postagens de 2020

Só por hoje

Hoje o dia foi dolorido. Uma dor de Alma, de quando precisamos crescer. Uma dor que tira vontade de tudo que é externo, de tudo que não está dentro de mim.  Desejei um abraço, mas tive o silêncio. Meu silêncio, talvez, se pensar que tudo vem de mim. Meu próprio desprezo, minha própria negação.  Hoje o dia foi difícil, eu sabia que seria... a vida tem sido dura ao ensinar. A vida tem sido a vida...  Desejei partir, mas não posso. Então recolho meu silêncio, me visto das máscaras e sigo em mim... com as dores e o aprendizado.  O abraço será meu comigo, enquanto ainda estiver por aqui... 

Oráculo da Semana - De 20 a 26-Dez-2020

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Muitas vezes precisamos entrar no inconsciente na busca de respostas, mas nem sempre sabemos as perguntas. Recolhemos nossa energia das coisas externas e nos encerramos, por um tempo, nesse lugar solitário e habitado por tudo o que realmente somos – e temos. Quando assim o fazemos, somos convidados a um banquete com nossas características ocultas, sejam elas desejos, medos, memórias que desejávamos não ter contato... entramos em contato com um lado que, apesar de rico em imagens e de grande sabedoria, pode nos aterrorizar profundamente. Essa semana se abre com Perséfone, a Rainha do Mundo Inferior, que nos convida para um banquete de nós mesmos... ela sabe que temos fome de conhecimento e buscamos nos libertar das algemas de Saturno, o guardião de tudo que foi criado por Lethe , a ilusão. Não é possível a liberdade sem o saber – e o preço do saber é a solidão e a melancolia. Bem-aventurados os ignorantes que vivem na superfície, pois embora presos nas teias da ilusão, vivem na Matr...

Lua Nova em Escorpião

Marina, em poucas horas, iremos celebrar a força da Lua Nova, que deverá estar no signo de escorpião no dia 16-Novembro, segunda-feira. É um tempo de recolhimento, de silêncio, de reequilíbrio das energias internas, principalmente as femininas. Nesse período, simbolicamente, temos o alinhamento entre Alma e Espírito, Lua e Sol, favorecendo a introspecção e a auto análise. Um momento favorável para mudanças internas, quando podemos definir o que realmente deverá continuar conosco e o que deverá ser considerado descartável... considerações interessantes, Marina, que nos foram recomendadas pelo nosso querido Pai Velho. Durante esse período catalisado pelo signo marcial de escorpião (que sempre se relaciona com a profundidade do inconsciente), é natural a sensação de solidão e de luto, pois algo precisa ser morto em nós para dar lugar ao propósito que se fortalece e que toma o nosso ser. Somos Espíritos em crescimento, Marina, através de Mercúrio, e passamos pelas transformações alquímicas...

Um até logo

Marina, esse é meu último bilhete, por enquanto. Deixarei minhas palavras no meu silêncio, guardadas, porque é esse o tempo de agora. Há tempo de expressar e tempo de acolher o que foi expresso. Há tempo de calar... e hoje me calo. Voltarei a escrever quando for o tempo para plantar novamente, acredito que há muitas sementes que podem dar bons frutos. Até lá, espero que tenha tempo para receber. Leia, Marina. Leia o que lhe ofereço com graça. Leia e sinta o afeto de meu Espírito, que sempre busca o seu. Leia para que eu sinta que você merece de mim o que de mim ofereço. Que você quer de mim o que de mim ofereço... leia, Marina, os bilhetes que deixei e os sentimentos que tive. Os sentimentos que tive e tenho, a certeza de que a boa semente poderá brotar... Espero que esteja bem e que todas as palavras a tenham ajudado a refletir. Espero que consiga decidir sobre seu futuro e que os dias sejam mais dóceis com você... espero que seu gato volte, que seu cachorro fique bem e tudo seja co...

Essa tal angústia

Marina, um amigo disse-me hoje, pela manhã, sobre a angústia. Ele afirmava que esse sentimento de solidão tem a ver com nosso Espírito, que, muitas vezes, se sente aprisionado em nós. Seria como se Ele, nosso Espírito, estivesse buscando por uma união de volta ao Divino, mas nós nos perdemos na ilusão e não damos atenção a isso... A angústia, Marina, seria a forma de expressão desse Espírito, dessa saudade que sentimos  de D’us , da união com D’us, da presença de D’us em nós. Como se tivéssemos sede desse contato com o Divino, embora, nem sempre, saibamos o que é esse Divino. E o que é o Divino, Marina? O que é o Amor Divino ou a vida em Espírito? Romanceamos demais a D’us, Marina. Acreditamos que o Amor é algo que fica sempre em euforia, atribuímos a D’us a condição de bom e sequer sabemos que tudo isso é relativo... a ideia de bom e não bom é absolutamente humana. A ideia de amor como euforia e ausência de atribulações é uma criação humana e falaciosa. O Espírito não conhec...

A Velha e os Bolinhos

Marina, a Velha me visitou, hoje de manhã. Ela me trouxe bolinhos e algumas outras guloseimas de que gosto. Ela me perguntou de você e eu lhe disse que ainda continua a mesma moleca, que gostava de correr e de subir nas árvores, enquanto colhíamos ervas para nossas garrafadas. Rimos disso, como se estivéssemos a vivenciar uma vez mais esse tempo... lembramo-nos, inclusive, do tempo em que vivíamos na tribo e fazíamos fogueiras à noite para nos aquecer durante a vigia... foi uma boa visita, da Velha, com os bolinhos que trouxe. Ela disse que estará por perto para nos ajudar com as plantas do nosso espaço. Eu lhe disse sobre algumas árvores de frutos, ela pediu que me lembrasse das rosas e das figueiras. Não me lembrava se você gostava de figos, mas ela me ajudou a resgatar os doces que tantas vezes fizemos em nosso espaço, no fogão a lenha, aos finais de tarde nos rituais. E são tantos, não? São tantos que nos procuram e tantos que conseguimos ajudar. Percebo que o tempo é algo que nos ...

O Vazio e Saturno

Marina, existe um vazio que se apossa de mim. Um vazio intenso, que pega no ventre e vai tomando corpo em meu corpo... como algo que se espalha e toma posse, profundamente, deixando-me calado e em uma grande sensação de solidão. Não existe solidão, certo, Marina? No fundo, estamos todos em nossa própria companhia, pois tudo o que existe representa uma parte de nós, que nem sempre reconhecemos. Estamos juntos, já sei, mas ficarei em meu silêncio, porque nada que eu dissesse seria novo. Talvez o novo não exista, minha doce Marina, porque tudo foi criado a partir de uma ideia que já existia em outro plano... não é o que fazem os deuses e demiurgos? Criam a partir do que já foi criado pela Mente Divina em algum momento. O resfriado me deixa com o nariz constipado e a cabeça um pouco zonza... acredito que este meu vazio seja para que eu possa ser invadido por outras ideias. É o que imagino - e a imaginação, cara Marina, também é a raiz da Magia, oposto da ilusão de Lethe que faz com que des...

Por hoje, Insonia

Marina, há alguns dias penso em escrever algo para você. Sinto que, ao escrever, coloco mais sentimentos nas palavras, parece que um pouco de minha alma vai até você... embora, eu sei, estamos unidos de tal forma que a distância é apenas uma impressão que nos causa Chronos. Mas, como dizia, escrever tem um efeito peculiar em mim: eu coloco um pedaço meu naquilo que crio escrevendo, parece-me que há um filho que é parido quando as palavras tomam vida fora de mim. E isso é bom! Tive insônia, mais uma vez. Sentia-me distante e ausente, como se o corpo não quisesse parar. Fui vencido pelo cansaço e consegui apagar por um par de horas, enquanto sonhava com os escritos de Hermes, o Trimegistro, que escreveu sobre a busca do Divino. Cada pedaço meu vibrava em sintonia com essa busca que se revela a mim a cada segundo: e me perco, me encontro, me sacio. É de saciedade que meu Espírito está saturado, presumo. Ele está cheio e  não deixa meu Corpo dormitar... e será que precisamos, Marina, d...

Ele, o demônio

Hoje meu demônio me visitou novamente. Chegou em silêncio, sentou-se ao meu lado e permaneceu... como sempre, não interagia, mas ali estava, altivo e completo. Eu entendia sua presença, entendia sua manifestação quando meu peito estava repleto de vazio. Ele, o demônio, não era o vazio e, tampouco, habitaria meu vazio. Ele, o demônio, era o que eu traria para evitar o vazio sem perceber que ele sempre se esquivava dessa tarefa: a ele não cabia preencher o que não lhe pertencia. Foi uma semana intensa, comecei a dizer. Ele, o demônio, acenou com a cabeça como se quisesse que eu continuasse a falar. Foi uma semana intensa, repeti. Os desequilíbrios emocionais me trariam rompantes de raiva e tinha de me conter para a ninguém ofender. Em alguns momentos, minha melancolia tomava corpo e me afundava em um sono intenso de horas a fio. Ele, o demônio, continua impassível e nada dizia. Seus olhos fitavam-me como se me perscrutassem, mas não me sentia incomodado. E continuei a falar. E continue...

Silêncio

Esquece a moça de vermelho, escute a música do silêncio – disse-lhe o velho sentado ao seu lado. Fechou os olhos, permitiu-se parar e apreciar a si mesmo, naquela praça, durante o almoço. Tudo pareceu ficar em um estado de suspensão, enquanto, em seu íntimo, algo acontecia sem que ainda compreendesse. A imagem da pequena igreja onde passou a adolescência veio-lhe à mente, o pastor falando sobre o céu e o estado de graça: era assim que se sentia, pleno e em estado de graça. Era Ian, a graça e o presente de D’us. Mas a imagem logo sumiu, deixando apenas a sensação leve e o sorriso de gratidão pelo tempo em que lá esteve. Sentiu sua angústia se aproximar e a abraçou. Ela então o tomou em seus braços e em seu peito. A voz do velho agora nada dizia e a moça de vermelho já não mais existia. A moça, o velho e o silêncio tornavam-se uma única e mesma coisa. Tornavam-se sua angústia, como um feto amargo que pedia lugar para existir. Um feto há tempos rejeitado que agora reclamava seu espaç...

A Queda

Naquele dia, acordou com o mesmo sonho, a mesma floresta, a mesma escuridão. Nada temia, enquanto tateava pelas árvores e sempre chegava onde queria estar, como se a própria natureza falasse com ele com intimidade, como se houvesse uma união perfeita entre ambos. Neste sonho, ao ar livre, durante o dia, desnudava-se e corria saltando galhos e rochas, esbaldando-se em pequenos riachos e sentindo no corpo o que na alma há muito estava. E havia uma anciã em seu sonho, com quem vivia, e que o ensinava a misturar ervas e raízes, pequenos frutos e outros elementos para cura dos males daqueles que os procuravam. Ela, a anciã, dizia ser isso um conhecimento antigo, de quando os homens ainda andavam com os deuses e não queriam usurpar o que não lhes pertencia. Enquanto sonhava, ele bebia daquele conhecimento milenar com calma, absorvendo cada palavra e reconhecia-se capaz da plenitude que a anciã lhe confiava. Mas o dia o chamava e despertava, repentinamente, para retomar a vida presente. Pou...

A Serpente

Há tempos, tenho escutado que a realidade ao redor de cada ser humano é reflexo do mundo interior de cada um, que cada ocorrência é uma conexão do inconsciente que se externaliza para que algo venha à consciência. Há tempos, também tenho escutado que há seres humanos capazes de modificar a realidade e alterar a ordem das coisas de acordo com a vontade. Humanos pouco conhecidos, que vivem suas vidas comuns, em meio a nós, sem realizar qualquer alarde. Há um propósito nesse silêncio em que vivem, onde simplicidade não significa penúria e humildade não significa humilhação ou ascetismo. O silêncio vem de não se exporem aos que não estão prontos para receber, em saber o que dar e como dar aos que batem pedindo abrigo de conhecimento e acolhimento espiritual. O silêncio que se rompe quando o verdadeiro buscador bate a porta, pronto para receber e se conectar com o Divino de onde tudo provém. Há anos, tenho vivenciado o contato com o Divino através das sincronicidades e dos reencontros q...

Adormecido

Naquele dia, resolveu não dormir. Tinha medo de seus sonhos, das noites em que visitava lugares que nunca havia conhecido. Naquele dia, fez um café preto, pegou seu cigarro e pensou em nada, pois nada havia para se pensar. O silêncio se instalou e misturou-se à fumaça de seu cigarro. Calado. Café frio e a rua deserta abaixo de sua janela. E o medo dos sonhos, da noite e do desconhecido que vinha visitá-lo. Lembrou-se da última conversa com sua pequena: ela o abandonou por conta do tédio. Dizia que ele nada seria, pois o tempo passava sem que algo fosse possível de ser feito para mudar. Sentiu-se abandonado pela pequena. Sentiu-se solitário, vazio, silente. Sentia falta de açúcar em seu café e de um cigarro de marca melhor. Sentia falta de gente, mas era em si mesmo que existia ninguém, nem ele mesmo. O assobio do guarda noturno pareceu despertar-lhe do transe. Demorou reconhecer onde estava, sua janela e sua rua. De repente, viu seu gato subindo em qualquer lugar para saltar e queb...

Dois de Copas

Amou-se através do olhar do outro. Viu-se através do olhar do outro. E então, amou o outro. Enquanto o outro, todavia, não sabia, ainda, se amar. Acordou, finalmente. Sentia-se vivo e, pelo o afeto que nasceu, também novamente nasceu. Tinha novos sonhos e seus objetivos eram plenos. E puros. E intensos. Por agora, na descoberta e na verdade, o tempo rege o tempo... e o destino, ah, esse tal destino, deixa de ser porque a consciência acontece. E tudo segue... Laura P.

Semana na Kabana – de 12 a 18-Julho-2020

“Aquele que é inspirado reza a D’us em segredo e alimenta o pobre sem comunicá-lo a ninguém. Assim, D’us o atrai para si e o libera da morte” – Livro XXXIII – 10 Começamos a semana com a Lua Minguante , posicionada no signo de Áries , enquanto o Sol continua em Câncer . Portanto, seguimos com a companhia de Fogo e Água , dizendo de forma simplificada, a convidar-nos ao acolhimento e recolhimento das energias. A carta da semana é o Ás de Paus , representada no Tarot Mitológico como Zeus, em sua forma mais humana, pronto para o início da jornada heróica – esse naipe vai contar a história de Jasão e os Argonautas, na busca do Velocino de Ouro. Na Kabana temos a regência de Oxalá , nessa semana, e percebo que é momento de introspecção, com o reconhecimento da nossa energia realização que ainda não está direcionada – ou devidamente pronta para ser utilizada em plenitude. É como se todo conhecimento que temos estivesse “em potencial”, se preparando para ser colocado em movimento ...

Colóquios de Espiritualidade

Eu me lembro que, aos seis anos de idade, eu comecei a ler com revistas em quadrinhos que traziam estórias de Maga Patalójika e Madame Min . Eram bruxas de um universo diferente do meu, mas que fascinavam meu mundo infantil, ainda inocente, buscando respostas para minhas ideias de poções e sortilégios capazes de mudar a realidade. A infância era um tempo de alegria, onde anos depois eu trocava os nomes dos presentes de natal para tomar de meu irmão o brinquedo de mágico para eu mesmo me fazer de mágico com os truques que tinha... tinha uma imaginação fértil, diziam, mas a necessidade cultural da religião me levaria aos ensinamentos católicos sem que eu compreendesse de onde vinham todas as inspirações que eu tinha! Quando completei 17 anos, tornei-me evangélico, na busca por respostas para tantas vozes e previsões que estavam em mim: era profeta, diziam. Batizado nas águas e no fogo, pelo Espírito de D’us, tornei-me capaz de falar das escrituras e de cantar de forma inspirada...