Colóquios de Espiritualidade
Eu me lembro que, aos seis anos
de idade, eu comecei a ler com revistas em quadrinhos que traziam estórias de Maga
Patalójika e Madame Min. Eram bruxas de um universo diferente do
meu, mas que fascinavam meu mundo infantil, ainda inocente, buscando respostas
para minhas ideias de poções e sortilégios capazes de mudar a realidade.
A infância era um tempo de
alegria, onde anos depois eu trocava os nomes dos presentes de natal para tomar
de meu irmão o brinquedo de mágico para eu mesmo me fazer de mágico com os
truques que tinha... tinha uma imaginação fértil, diziam, mas a necessidade
cultural da religião me levaria aos ensinamentos católicos sem que eu
compreendesse de onde vinham todas as inspirações que eu tinha!
Quando completei 17 anos,
tornei-me evangélico, na busca por respostas para tantas vozes e previsões que
estavam em mim: era profeta, diziam. Batizado nas águas e no fogo, pelo
Espírito de D’us, tornei-me capaz de falar das escrituras e de cantar de forma
inspirada diante de toda igreja. Foi um tempo feliz, onde as pessoas estavam sempre
confiantes em um poder externo e nada do que acontecia seria capaz de nos
arrebatar da comunhão espiritual de que compartilhávamos. Foi uma pena que essa
ilusão terminou em pouco tempo, pois as “vozes” continuavam e percebi que o
julgamento humano era maior que o acolhimento, naquele meio.
Então, foi a vez de adentrar nos
caminhos de Kardec, aos 19 anos, onde as vozes se apaziguavam e tudo o que era
falado fazia sentido. Havia me encontrado, sentia... e assim foi por mais de 10
anos, quando comecei aceitar a diferença e toda rejeição que eu sentia, pela
cor e pela sexualidade. Eu acreditava que muito do que vivenciava dava-se pelas
vidas anteriores, que tive acesso através de algumas regressões conscientes.
Um dia, em uma reunião espírita,
se manifestou pela primeira vez o meu mentor: Pai José dos Humildes, um Preto
Velho divertido, que dá risadas com carisma e alegria. Claro que não poderia continuar
na Federação Espírita de São Paulo e fui convidado a me desenvolver na seara da
Umbanda.
E assim o fiz, encontrando
respostas que explicariam porque aos 15 anos eu dançava como Omolu em minha
festa de aniversário e tinha tantas inspirações de ervas, pedras e outras
coisas de que utilizava... as respostas viriam, mas novas questões surgiriam e
outros caminhos precisavam ser trilhados nos anos seguintes: Hermetismo, Ocultismo,
Qabalah, Alquimia, Angeologia, Quimbanda, entre outros. Passei por reuniões
de ordens, palestras diversas e finalmente descobri que não queria nada daquilo.
Quando finalmente descobri o
Pensamento de Jung, tudo, enfim, se encaixou perfeitamente e encontrei sentido
em tudo que vivia. Nasce a “Casa do Ser”, meu consultório de atendimento
psicoterapêutico e a “Kabana”, local para prática da Espiritualidade sem
nenhum rótulo religioso.
Hoje, quando passo dos 40 anos de
idade, quando percebo que amar é a cura da alma, quando percebo que tudo o que
pratico faz com que a vida se torne mais leve e equilibrada; eu quero compartilhar
disso. Quero conversar sobre isso, em um bate papo despretensioso para
ampliação de consciência, em um debate saudável onde percebo que somente
através do conhecimento de si mesmo é possível modificar o mundo ao redor. Há
muitos “causos” de terreiro, histórias de entidades, experiências em rituais
secretos que me fizeram acreditar que não há mesmo outro D’us senão aquele que
é o “Espírito Santo” que habita em você.
Longe de qualquer “Pensamento
Mágico” ou “Psicologismo”, o convite é falar sobre tópicos de espiritualidade
prática e aprofundar neles.
Se você chegou até aqui, acredito
que tenha tido interesse...
Um abraço,
Elton, de Francisco – Junho-2020 –
Solstício de Inverno
Comentários