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Mostrando postagens de dezembro, 2009

Sou teu...

Ainda que os falos se prostem à minha frente, Ainda que a virilidade se faça presente, Ainda que haja mil corpos com desejos e duas mil imagens de beleza... Ainda que se faça silêncio em todos os corpos e que castrem toda juventude... Serei teu, amado amigo, serei teu!   Mesmo com imagens de homens, Mesmo com o desejo dos meninos, Mesmo com o assédio masculino, Mesmo com as dores da saudade, Mesmo com a nossa distancia física, Sou teu e teu serei até o fim, Terás meu corpo, mente e coração.   Serás leão e domador de minhas farsas, o senhor que assegura minha vida, e o ar que faz o meu viver. Dono de meus pensamentos e sempre do meu gozar. Sem pudor. Por ti tenho amor. Eu sou teu, amado amigo, eu sou teu!   Os falos morrem e as imagens somem, os meninos envelhecem e partem. Nada é eterno. Mas sou teu enquanto existir. Michael - Maio, 18. 1995

A dulce paz...

Aconteceu novamente, Claire. Como sempre há um vento frio que entra pelos meus poros e me faz repensar se há vida. É um vento intenso, dorido, que ainda assim não me arrebata a paz! É estranho ser indiferente ao vento. Ele, sempre ele. Ele, o outro. Como ele foram tantos, e tantos passaram. Não é a nossa sina? Não é essa nossa verdade, nossa vida? Ter o inferno no outro, porque é o outro que nos conta quem somos. E quem somos senão aquelas pequenas imagens por que nos tomam? Não somos, Claire... Se fôssemos, nossas imagens seriam sempre as mesmas. E não são, porque o outro – assim como ele – só pode ver o que sabe, o que conhece ou o que já experimentara de fato ou por um conto que ouvira em um lugar qualquer... Não, Claire... nossas imagens não são as mesmas. Elas são o que o outro – e ele – quer que elas sejam. Somos vítimas de nossas imagens e são elas – e somente elas – que contam aos outros o que somos (e são os outros que nos dizem!). Mas como eu dizia, acon...

O Trem

O trem que passa, passa e passa Não vê os patos que sobrevoam a relva, E tampouco reconhece a asa quebrada daquele que se desvia do bando a cair..   O   trem   corre. O   pato   cai.   Sabe onde vai o trem, Sabe onde cairá o pato!   Sem sorrisos no céu o sol escalda E testemunha o fim: O trem pára. O pato cai.

Concubina, a louca

Ela tinha dedos largos, cumpridos e cheios de marcas do tempo. Do cigarro barato e dos bordéis que freqüentava no centro da Lapa. Da cabeleira vasta e vermelha, poucos fios caiam-lhe sobre as têmporas acinzentados pela escolha da vida que tinha. Poucos dentes compunham-lhe a face cansada, sua boca rota e os olhos vítreos como se mortos para a luz ofuscantes e mofos das camas onde se vendia. E se declarava concubina, a louca. Sim, em sua insanidade imaginava-se capaz de sonhos, de devaneios onde seu poder se misturava às bebidas quentes de final de noite e suas roupas, rasgadas, seu preço barato pago pelos caixeiros viajantes. Apelidavam-lhe de bruxa. Sempre em desalinho, tentava sanar sua carência nos jogos de azar onde apostava sua indecência por moedas de barro. Dizia-se conhecedora dos segredos da vida, mas os únicos que habitavam sua mente eram das lembranças pérfidas de quando tentava exalar maldade e despertava alguma compaixão. E se declarava concubina, a louca. Viveu até ...