A dulce paz...
Aconteceu novamente, Claire. Como sempre há um vento frio que entra pelos meus poros e me faz repensar se há vida. É um vento intenso, dorido, que ainda assim não me arrebata a paz! É estranho ser indiferente ao vento.
Ele, sempre ele. Ele, o outro. Como ele foram tantos, e tantos passaram. Não é a nossa sina? Não é essa nossa verdade, nossa vida? Ter o inferno no outro, porque é o outro que nos conta quem somos. E quem somos senão aquelas pequenas imagens por que nos tomam? Não somos, Claire...
Se fôssemos, nossas imagens seriam sempre as mesmas. E não são, porque o outro – assim como ele – só pode ver o que sabe, o que conhece ou o que já experimentara de fato ou por um conto que ouvira em um lugar qualquer...
Não, Claire... nossas imagens não são as mesmas. Elas são o que o outro – e ele – quer que elas sejam. Somos vítimas de nossas imagens e são elas – e somente elas – que contam aos outros o que somos (e são os outros que nos dizem!).
Mas como eu dizia, aconteceu novamente. Ele veio e me disse, de repente. Ele veio, Claire, como o próprio vento frio que entrava pelos meus poros e me fez ser eu mesmo por um momento. Ele viu, assim, uma essência que trago lá dentro, em mim e para mim. Ele me viu e reconheceu o que será em tempos, o que terá em tempos, o que sentirá... em tempos!
E, de repente, foi minha paz que saiu e se sobressaiu como algo acima de tudo. Foi minha paz, Claire, que me disse entáo finalmente quem eu era. Não a imagem, não o outro, não... foi minha paz, uma paz de certeza, de ser. Eu sou e agora, mais que nunca, tenho certeza disso...
Ele é meu inferno, porque me diz o que vê e pensa que sou... mas eu, Claire, encontrei o céu em uma paz profunda chamada indiferença...
Até a próxima,
S.
P.s.>> Não é sempre assim?
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