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Mostrando postagens de fevereiro, 2010

Superação

Enquanto caminhava pelo calçadão, confessava a si mesma que o melhor a ser feito era esquecer. Repetia como um mantra o quanto teria de força para se esquecer, para superar e continuar sem se prender ao que passou.   Ainda que se lembrasse de Fausto, de Goethe, e ressentia-se por não haver um Diabo a quem confessar seu medo e frustração. Ressentia-se porque o que havia, em seu íntimo, nada mais era que uma canção mórbida para matar sua raiva, seu rancor e seu desejo real de devolver cada lágrima que caiu de seus olhos.   Não seria um deles, dizia. Não, não seria. Conseguiria prender uma vez mais seu lado nefasto e deixaria que sua luz, ainda que fraca, brilhasse. Não queria a luz, todavia. Não queria ter bondade alguma ou qualquer outra coisa que não deixasse seu íntimo sair e tomar todo seu corpo.   Parou. Sentou-se em um banco qualquer e, alquebrada, balançava-se para frente e para trás em um ritmo suave, como as ondas às suas costas, como os pássaros que ...