Ser Mulher - Tornar-se Mulher
Existem vários mitos do feminino, tantos quantos há mulheres para vivenciá-los. Eles podem ser agrupados em grandes tipos e serem representados por divindades em todas as culturas, como a sedutora Vênus, que nasce pura, ou a guerreira Artemis que carrega a sabedoria. Essas mesmas características estão em Ishtar, em uma outra época e cultura, ou em Matamba e Oshun nos mitos africanos. Exemplos para falar de apenas algumas das características do feminino, riquíssimo e vasto com lendas que envolvem desde as senhoras do destino à Grande Mãe que trouxe vida todo planeta. Musas, senhoras, dona do mistério, guerreiras, símbolos do poder em todas as culturas: eis uma pequena fração do que é o feminino!
Reconhecer o próprio feminino é tomar posse do próprio
poder, que é criativo, transformador, regenerador, destrutivo e condutor. Conectar-se
com os próprios ciclos e com os ciclos do planeta intensifica o poder e a sua expressão, como a Terra escurece-se no
inverno e ressurge no verão, alternando sua força entre o feminino e o
masculino para que todo ser reconheça isso em si mesmo. A Terra adormece sob a
lua para refazer suas energias (o poder regenerador do feminino) e desperta com
o sol para realizar a vida - e poderia o masculino realizar-se sem o feminino para
nutrir?
Ser Mulher ou Tornar-se Mulher?
Como o movimento de descoberta da própria individualidade
pode estar associado à libertação do coletivo?
Como o reconhecimento do próprio mito, da própria história,
da própria vida, pode associar-se ao apaziguamento de um grupo?
As estórias e os mitos existem para o ensinamento de uma cultura, que vai além das fronteiras e do tempo em que foram criados. Eles trazem chaves para o entendimento das próprias inquietações e para expansão da consciência:
Medéia não é má por assassinar os filhos, mas é livre por não se ater às expectativas de uma época e demonstra que a mãe é quem traz a vida e também determina a morte, pois tudo que nasce um dia morrerá.
Nanã abandona seu filho para que despreendido ele reconheça sua força e se torne rei, assim como Oyá não cria seus filhos, mas os defende sempre que necessário.
O feminino materno não é, em sua natureza, agradável e bonzinho, e as estórias tentam libertar o imaginário coletivo das prisões criadas pelas expectativas.
Essa foi apenas uma proposta de reflexão, para incitar a
busca pelo próprio feminino, pelo próprio mito, características que indicam semelhanças
e podem colaborar na saída das prisões. Tornar-se Mulher é reconhecer a Bruxa
que existe, naturalmente, em cada mulher... assim como existe a Guerreira, a Velha Sábia,
a Sedutora, a Grande Mãe, a Companheira... Tornar-se Mulher é reconhecer a sua conexão com a
natureza humana, a capacidade de enxergar o humano como humano pela visão interna,
noturna, de alma. Tornar-se Mulher é reconhecer-se falha e poderosa, amedrontada e corajosa, feliz e triste com o que se é.
Considerando as características femininas, seria
interessante o exercício de reconexão com os mitos, o aprofundamento nos ciclos,
o entendimento da própria história. Talvez, agrupando o feminino desse grupo e
um único grupo, que se despertasse o sagrado e fosse além, para celebrar em
Ostara o que é de Ostara – junto a Eostre, a deusa. Nessa reconexão, atentar-se ao sentir e expressar as emoções, na Arte ou na Palavra, na Magia ou na Sabedoria.
Todavia, isso é apenas uma recomendação...

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