A mediocridade não vivida




Hoje eu me levantei triste, profundamente triste. Ubatuba me saúda com uma paisagem linda pela janela, vejo o mar que é fascinante. E ainda assim estou triste, melancólico e solitário. 

Sinto-me deslocado por gostar do que poucos gostam e estar com pessoas que me cobram para enturmar em seus barulhos, suas bebidas e pela busca desenfreada por prazer sexual. Sinto-me deslocado por não conseguir, ainda que às vezes, ser superficial. 

Eu quero falar sobre espiritualidade, sobre filosofia e debates profundos sobre a existência... mas não é possível. Então, sozinho, observando o mar, questiono uma vez mais sobre a vida não vivida... sobre a vida que poderia ter sido com as companhias, as bebidas e a mediocridade que permeia a todos.

Não, não é fácil ser diferente.

Eu queria só por um momento gostar da mediocridade, do absurdo da mediocridade, do riso fácil e da alegria idiota que está em todos que se deleitam com músicas de funk e bebidas que se repetem... eu juro que queria, só por um momento, me sentir menos sozinho quando o mundo que me rodeia vem forte me cobrar por uma vida que não gosto e eu não ter para oferecer aquilo que querem.

Isso vai passar, em algum momento, eu sei. Isso é propício desse período das águas. 

E qual o propósito mesmo de se estar aqui? Ah, é o de servir... sim, o servir... dar aos outros o que somente eu posso dar. Oferecer-me em sacrifício ao mundo para que o mundo se deleite comigo. E quando isso se torna agradável? Por que tanta solidão? Quando o propósito se torna leve e sem dor?

Acordo às 5h da manhã, sozinho. De repente, talvez por percepção, a dona da pousada me chama para tomar café com ela... o sol está nascendo. Ela já tomou café, mas passa um café para mim, coloca canela e leite e espera eu tomar. De repente, do nada, o marido aparece com pão fresco e eu me alimento com um sorriso tímido. Eu fico feliz de ser querido, mas a tristeza não melhora, ela piora enquanto escrevo essas linhas e não sei o que dividir de mim mesmo. Que bosta!

Talvez basta ir caminhar na praia e chorar um pouco, sozinho, para me sentir vivo. Ou sentir-me ainda mais mais sozinho... cada vez mais sozinho... 

Ser diferente ou ser mago ou ser terapeuta... enfim, ser eu mesmo... isso não me faz menos triste. Sei que vou abraçar tristeza como um presente para o dia de hoje. Vou abraçar a angústia como um momento de vida... E vou viver, sobretudo.

Mas isso dói, isso sim, isso dói...

Bom Dia

Comentários

Anônimo disse…
Compartilho do mesmo sentimento

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