E isso, enfim, irá bastar... Marina

 



Há dias me lembro de você, Marina. Vejo suas fotos antigas e seus olhos nunca brilhavam ao meu lado… mas eu aprendi que recebemos do mundo e das pessoas o reflexo de nossas expectativas internas: e você nada mais me entregou senão o que eu esperava de você. Do que você tinha para entregar. Do que eu acreditava que poderia vir de você.

É estranho me lembrar e ainda sentir. É estranho ainda ter emoção. É estranho desejá-la e amá-la e, ao mesmo tempo, desdenhá-la e odiá-la com toda profundidade possível. Sim, eu sei, sou contraditório porque estou machucado. E procurei você em outras pessoas, sem encontrá-la. E continuei a sofrer, calado e no choro solitário da noite, pela rejeição que vivi por me entregar demais.

As palavras não são o suficiente, Marina... espero que a dor que senti ainda seja para você uma boa e perene companhia. E isso, enfim, irá bastar.

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