Culpa de quem?



Quero desistir de exaltar a metafísica. Nem sequer vou determinar o que é metafísica, qual é o poder a que se reporta. A hora é agora e o tempo é exatamente aquele que posso mensurar com meu relógio de pulso, que funciona apesar de adquirido nas lojas do comércio paralelo. Não quero pensar em consciência, em valores ou atributos outros que venham justificar: quero apenas falar, factualmente, de situações que pululam aos meus olhos.

Chove na capital. Molho-me completamente porque mesmo com um guarda chuva imenso não consigo estar nele por completo. E choro com a chuva porque encontro mendigos e pedaços humanos espalhados no caminho para casa. Choro torrencialmente, como a chuva, porque falo com minha irmã e testemunhamos diversos desabrigados que perderam tudo o que tinham. É certo que vão todos ao abrigo proporcionado pela prefeitura, mas não é o suficiente. A chuva está em São Paulo, corrijo, na periferia de São Paulo: há uma clara divisão entre a “chuva” e os “desastres” que acometem apenas os menos favorecidos – e não falemos, ainda, de valores. Não há desastres no Palácio dos Bandeirantes ou na Prefeitura Municipal. Não há sequer chuva onde se refugia o presidente para suas “tão merecidas” férias!

O ano mal começou e já observamos que será complicado para divisão de toda pizza. No Planalto já não se há o mesmo rigor para apuração dos fatos do fantasma “mensalão”. Assim como o ex-presidente Collor foi totalmente absolvido pela memória do povo brasileiro, celebram-se, hoje, metas alcançadas durante o ano e se abafam as declarações paquidérmicas de um governante manipulável... Há de se concordar que todos têm sua parcela de manipulabilidade, mas daí acrescer-se disso para se inocentar traz um desconforto indiscutível, pois, para mim o “eu não sabia” é improbidade!

Edmundo perde a carteira de motorista e Viola diz que a arma com a qual, em tese, ameaçaria sua ex-mulher é de coleção. Acredito tanto quanto consigo entender o relaxamento da prisão dos assassinos do casal Richthofen e da seqüestradora de bebês Vilma Costa. A salada desse início de ano também foi recheada com o caso do seqüestro do ônibus onde se confundiu uma das participantes por uma pessoa inocente – e a inocência era fato, não um valor!

Não sei mais o que dizer... fico a me remexer e continuo a observar as horas em meu investimento de R$ 15,00. Isento de sentimentos ou valores, estou a vivenciar a situação através das sensações primárias animais: sem metafísica! Acabo por achar a metafísica incipiente. Não que seja por si, mas diante de tanta evidência há de se contestar sua necessidade, sua plausibilidade e até mesmo sua existência.

Mas, de repente, eu paro e percebo que há um furor em mim que deseja aceitar sua culpabilidade: a metafísica é a responsável por tudo. É isso, a conclusão seria exatamente essa! É a metafísica que faz com que o caos se instaure e estejamos determinados a adorá-lo – agora sim temos os sentimentos!

Como eu disse, sou apenas um louco....

Até a próxima,

E.

Comentários

Anônimo disse…
Parabéns pelo trabalho no site el, ficou legal hein!


Olha a neca hein!!!!
Um abraço
Kiko disse…
AE.... agora sim... com calma... entendi!

Viola.... ta na hora de ele tocar por outras bandas....

Presidente...

ja não tenho mais dó dele..

como vc disse... talvez ele entre...
porém eu não gostaria...

Kiko....
Anônimo disse…
Hmmm... Inspirado, intrigante e inspirador. Show de bola! Continue assim...

Aquele abraço,

Rogério

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