O Menino e a Vela

O menino acendeu a vela e se ajoelhou para rezar, com as mãos unidas em palma, levantadas para o céu. Nada de mais pedia naquela prece, apenas um pouco mais de tempo, apenas o tempo necessário para que fizesse o que sempre desejou.

Quis sair e andar pelas ruas, mas suas pernas estavam frágeis, seu corpo todo pedia pelo descanso merecido. Alguns corpos dormiam empilhados pelo seu quarto e poucos, além de algumas formas pensamento, podiam presenciar o ato de sublimação.

A vela ia a se queimar lentamente, como em um ritual onde o fogo ostentava todo o brilho que saída de seu âmago: o brilho do medo, da ausência, da sutileza de ser singular. E as palavras fluíam na mesma medida, na incerteza da intenção, da fé não inspirada e do tempo que se esvaía...

Ele só precisaria de um tempo, para encontrar o seu desejo!

Os seus joelhos já estavam marcados, suas mãos trêmulas balbuciavam o som inaudível de seus lábios, seus ouvidos procuravam pelo alto, na busca da prece, da oração para o céu.

Finda-se a chama. Seu rosto banhado de lágrimas acompanha, instintivamente, o sono dos corpos pelo seu quarto. Finda-se a sua reza. O menino se levanta. Sorri e sai.

Tinha o tempo agora. Para se estar livre!

Comentários

Anônimo disse…
Adorei, Elton! Tive aquela sensação que provavelmente foi a mesma que Clarice teve, quando leu Katherine Mansfield pela primeira vez e exclamou "Mas este conto sou EU!!!" :] beijos!!

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