O Louco de Botas
Chegou de mansinho, pousado no dorso de uma pomba. Abriu sua bolsa e tirou uma toalha branca, uma boneca azul e um carrinho lilás. Pousou tudo sobre a grama cinza e riu do que tinha feito. Alegrou-se intimamente e foi buscar água na fonte. A fonte que ele sabia uma réplica daquela vista na Itália... uma vez mais seu sorriso íntimo demonstrou uma alegria que lhe ia ao interior. Conhecia Roma e, muitas vezes, foi à luz de candelabro que se deitou nas gramas de Amsterdã ao observar o pôr do sol. Conhecia o Velho Mundo e a América tão celebrada. Revia em sua memória o primeiro cair de neve ainda com o brilho do fio do outono. Um fio único, como brincadeiras boreais da natureza para lhe encher os sentidos. E ele poderia se curvar para misturar-se à natureza... ela poderia engolir sua preguiça que estava firmemente fixada! Voltou para seu canto e deu de beber para boneca. Dispensou a pomba, não voaria mais por aquela tarde. Tirou suas botas, espreguiçou-se lentamente e chamou pelo seu cão....