Postagens

Semana na Kabana – de 12 a 18-Julho-2020

“Aquele que é inspirado reza a D’us em segredo e alimenta o pobre sem comunicá-lo a ninguém. Assim, D’us o atrai para si e o libera da morte” – Livro XXXIII – 10 Começamos a semana com a Lua Minguante , posicionada no signo de Áries , enquanto o Sol continua em Câncer . Portanto, seguimos com a companhia de Fogo e Água , dizendo de forma simplificada, a convidar-nos ao acolhimento e recolhimento das energias. A carta da semana é o Ás de Paus , representada no Tarot Mitológico como Zeus, em sua forma mais humana, pronto para o início da jornada heróica – esse naipe vai contar a história de Jasão e os Argonautas, na busca do Velocino de Ouro. Na Kabana temos a regência de Oxalá , nessa semana, e percebo que é momento de introspecção, com o reconhecimento da nossa energia realização que ainda não está direcionada – ou devidamente pronta para ser utilizada em plenitude. É como se todo conhecimento que temos estivesse “em potencial”, se preparando para ser colocado em movimento ...

Colóquios de Espiritualidade

Eu me lembro que, aos seis anos de idade, eu comecei a ler com revistas em quadrinhos que traziam estórias de Maga Patalójika e Madame Min . Eram bruxas de um universo diferente do meu, mas que fascinavam meu mundo infantil, ainda inocente, buscando respostas para minhas ideias de poções e sortilégios capazes de mudar a realidade. A infância era um tempo de alegria, onde anos depois eu trocava os nomes dos presentes de natal para tomar de meu irmão o brinquedo de mágico para eu mesmo me fazer de mágico com os truques que tinha... tinha uma imaginação fértil, diziam, mas a necessidade cultural da religião me levaria aos ensinamentos católicos sem que eu compreendesse de onde vinham todas as inspirações que eu tinha! Quando completei 17 anos, tornei-me evangélico, na busca por respostas para tantas vozes e previsões que estavam em mim: era profeta, diziam. Batizado nas águas e no fogo, pelo Espírito de D’us, tornei-me capaz de falar das escrituras e de cantar de forma inspirada...

Ser por inteiro

Eu acredito que a gente se define pelas amizades que a gente tem, pelas palavras que a gente expressa, pelas coisas que a gente faz. Não acho que seja possível alguém fazer algo estúpido se estupidez não for algo que ele possui em si mesmo. É como se fosse possível externar somente o que temos por dentro, sem exceção. Se faço algo com bastante atenção e procuro sempre fazer o melhor, é porque tenho isso como valor em mim mesmo. Como se qualquer coisa que eu fosse fazer, ainda que fosse um simples pão com manteiga, eu fizesse com excelência, desse o meu melhor... porque a excelência é um valor para mim. Seguindo esse raciocínio, eu acredito que tudo que acontece com a gente tem relação direta com os valores que a gente tem. Explico: você não irá receber nada diferente do que você é. Se você semeia excelência por onde passa, por que irá receber menos que excelência de volta? Se vamos procurar sempre fazer nosso melhor, porque não será o melhor que vamos receber, ainda que seja na ...

O Louco de Botas

Chegou de mansinho, pousado no dorso de uma pomba. Abriu sua bolsa e tirou uma toalha branca, uma boneca azul e um carrinho lilás. Pousou tudo sobre a grama cinza e riu do que tinha feito. Alegrou-se intimamente e foi buscar água na fonte. A fonte que ele sabia uma réplica daquela vista na Itália... uma vez mais seu sorriso íntimo demonstrou uma alegria que lhe ia ao interior. Conhecia Roma e, muitas vezes, foi à luz de candelabro que se deitou nas gramas de Amsterdã ao observar o pôr do sol. Conhecia o Velho Mundo e a América tão celebrada. Revia em sua memória o primeiro cair de neve ainda com o brilho do fio do outono. Um fio único, como brincadeiras boreais da natureza para lhe encher os sentidos. E ele poderia se curvar para misturar-se à natureza... ela poderia engolir sua preguiça que estava firmemente fixada! Voltou para seu canto e deu de beber para boneca. Dispensou a pomba, não voaria mais por aquela tarde. Tirou suas botas, espreguiçou-se lentamente e chamou pelo seu cão....

A História de M.

Há muito tempo, quando ainda existiam os bárbaros na região nórdica, uma família insistia em sobreviver na discrição das matas. Em um sítio distante do povoado, subsistiam com sua pequena plantação e criação de animais.   O pai e suas filhas ordenhavam as ovelhas, aravam a terra e teciam para afugentar o frio da Noruega. A mãe, por sua vez, mantinha uma conserva de alimentos e uma estufa de flores, de onde conseguia alguma renda de escambos com pequenos mercadores que passavam vez ou outra pela região.   Mas a invasão e as lutas ainda ocorriam e todos temiam que, mesmo naquela região longínqua, os bárbaros viessem a tomar-lhe o pequeno espaço.   Muitas vezes, nas noites em que o frio não os maltratava tanto, reuniam-se diante da pequena lareira para falar sobre a Magia e a origem de seu povo. E ali, muitas fantasias passam pela mente de M., a mais jovem das filhas, que vivenciava as palavras como se as tivesse vivido todas elas. Das lendas dos magos e...

Balthazar - Fiend

Ontem Ele voltou. Há dias rondava-me com sua capa, envolvendo-me em sua energia e declarando sua presença. Há dias, enquanto eu dormia, velava-me o sono ao lado de meu Anjo, dizendo-me palavras duras e seguras para que eu seguisse meu caminho. O meu caminho. O caminho que traçado foi, por mim e para mim, antes mesmo que me desse conta de quem sou. E ontem, Ele voltou. Manifesto. Vivo e presente. Alimentando-se de novos medos alheios e de fumaças de cigarros sem pudor. De mentiras, de promessas quebradas e fugas escondidas. De vergonhas reveladas, desejos mal vividos e tormentos advindos da mente doente. Ele, vivo e presente, tomava dos outros o que mais os atormentava, alimentava-se das dores e rancores enquanto soltava palavras negras e divertia-se com seus olhos sem luz. Eles estavam mortos. Todos mortos. Caminhavam sem vida, falavam sem vida, agiam sem vida. E Ele voltou. Para se alimentar dos mortos. Para reinar sobre os mortos. Para se fortalecer sobre os mortos. Ele voltou. Brado...

Fiend

  Às vezes um pouco daquilo que você esconde tão profundamente, pode lhe trazer um prazer intenso. Ainda que por um tempo, somente, é um prazer que vale a pena, que faz rir desnecessariamente. Prazer. É um prazer de suor e taquicardia, de medo, de obscuridade. Um prazer que faz diferença, pois caminha entre os vivos e vive entre os mortos, aqueles que se mortificam a si mesmo para sentir profundamente em espírito. É um prazer de pecado, doce e ácido, que corrói quando não canalizado, controlado e parte essencial do Ser. Prazer... A fumaça entra pelas narinas com parcas palavras desconexas. Uma fumaça que intoxica, que energiza e em escuridão cria uma atmosfera lúgubre, lúbrica, viva. Um olhar perdido dizendo que o corpo age involuntariamente, mas que o corpo age. Que o corpo obedece a uma Força maior e natimorta. Uma Força natural, capaz de transformar e realizar. Uma Força que pede alimento, que pede sedução e que se seduz por si mesma. Uma atração fatal, sem coerência, sem sentid...