Partida
O final é inevitável. Lentamente, assisto Elizabeth se esvair pelos meus dedos e sinto que em breve não verei mais luz em seus olhos. Docemente ela me diz algumas palavras e confessa em um ato sagrado suas transgressões mais sublimes. Sorri. Não vejo tristeza ou dor em seu rosto. Não sinto que há culpa ou qualquer outra emoção de repressão. Ela, envolta em sua liberdade, se vai com ares da rainha que sempre foi.
Um júbilo invade meu peito e canto em silêncio. Talvez tenha me deixado contaminar por sua liberdade, por sua crença na urgência da vida. Não sei ao certo como definir essa sensação em meu peito. Elizabeth constantemente se soltava e se deixava conduzir ao sabor de seus desejos. Rompantes de uma alma jovial! Ela, e só ela, transpassava qualquer obstáculo para satisfazer o pedido de sua alma.
Agora ela fecha os olhos e pende a cabeça ao lado. Como se adormecesse em mim para não ver a lágrima que me corta a face. Ela se foi, digo a mim mesmo. Elisabeth se foi.
E.
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