De agora

Enquanto meu sorriso voa pelas sombras, sua imagem paira sobre a cama e me espera. Um silêncio surdo, de cheiro acre, faz com que o tempo entre nós se torne denso e tranquilo.

 

Seus pés são marcados e mancham meu lençol. Ele se despe suavemente e diz que nunca me amaria novamente, mas se entrega apenas para que eu me machuque uma vez mais. Seus lábios contém o veneno de minha ventura e fico a imaginar mil maneiras de torturá-lo em que sinto.

 

O vento se quebra à janela e uma voz doce sai de meu pesar. Peço-lhe que me encare. Ele confessa sua ventura errante e faz com que suas lágrimas lhe salguem a face. Levanta-se, nu, e vem ao meu encontro. Afasto-me. Paro diante do batente da porta e lembro da nossa música de outono. Do dia em que na chuva escrevemos nossos nomes na árvore... Não quero ser romântico, mas ainda assim dou dois passos em direção ao seu encontro e sorrio novamente.

 

Ele volta, senta-se na cama e nada diz. Abaixa seus olhos. Percebe meu transtorno. Faz menção de se vestir, mas corro agora em seu encontro e selo seu pecado com as mãos. Beijo-o...

 

Fazemos amor intensamente. Ávidos pelo momento deixamos as mágoas e tudo o que jamais confessamos. Deixamos todas as marcas...

 

Enquanto encerramos nossos corpos, banhamo-nos a sombra do vento e apenas abandonamos, ao amanhã, o nosso pesar...

 

E. Michael – Jan-18-2006

 

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