Casa de Preto Velho
Sentei-me na cama, ainda com os olhos e janelas fechadas. O ventilador era o único som por um momento, antes que a voz me perguntasse: "E se pudesse, o que faria"? Hesitei por alguns segundos e, em pensamento, me questionei que tipo de pergunta era aquela...
De repente, senti como se uma multidão invadisse meu quarto, havia um turbilhão de presenças que se aglomeravam ao meu redor e, ao mesmo tempo, todo meu corpo se aquecia e se esfriava, como se eu estivesse em outro lugar diferente do meu quarto, quase escuro, com meu cachorro, que agora dormia. Quis abrir os olhos, mas algo me levava a continuar silente, quieto, esperando... somente esperando.
Começou com um som de berrante, retumbante, seguido de tambores e risadas ao ritmo de um maracá bem ritmado. Um cheiro acre e um sabor de fumo, de marafo, de águas doces e salgadas... meu coração começou a bater mais forte, minha respiração mais intensa, minhas mãos trêmulas e todo meu corpo como se quisesse dançar envolvido pela festa. A voz voltou a dizer meu nome e, novamente, perguntou: "E se pudesse, o que faria"? Eu respondi prontamente: "Eu posso e farei"!
Como em um grande coro, todos disseram meu nome e senti como se toda aquela energia entrasse em mim para se hospedar... Abri os olhos, com o rosto molhado pelas lágrimas, e fiquei em silêncio, por um tempo, apreciando-me em solitude.
Eu posso... e farei!
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Elton Francisco - São Paulo, Fev-03-2021 - 11:16 PM

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