A caminhada



Marina,

enquanto caminhava beira mar, Ele falou comigo novamente. Há tempos, escutava Seu silêncio aos meus questionamentos como se a decisão fosse apenas minha. Hoje, o ar gélido do inverno me trouxe Sua voz. O silêncio e a escuridão se foram, Marina. O vento sopra uma nova vida e permito-me sentir que algo nasce em mim.

Assumo a "Kabana" e me torno mais de mim mesmo. Os braços se abrem para acolher os que vierem, dispostos a pagar o preço do saber, nessa jornada de renascimento a que propomos... Kavungo, nosso protetor, sorri satisfeito com as forças que ressurgem, simbolizados em mestres da escuridão e luz. Kavungo e Ele sorriem, e me deixo emocionar por isso.

Novos rumos, sem amarras, sem algemas. É impressionante, Marina, como descobrimos prisões quando compartilhamos o que pensamos. Como descobrimos julgos e absurdos. Impressionante como solitários somos livres para seguir o próprio caminho. E Ele falou comigo novamente, Marina. Sua voz era profunda e firme, confiante de que estou em um caminho de vida e trabalho. Ele, Marina, falou.

O mar se acalmou e respondeu meu canto. Em algum lugar em mim sei que está tudo certo. A "Kabana" é real, Marina. Kavungo, com seus mestres escuridão e luz, reinará na busca do ser... e tudo continua. E tudo continua.

Os que vierem, serão acolhidos e serão filhos D'Ele.

Até breve, Marina. 

Francisco

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