Adeus, Marina
Eu deixei de
amar você, Marina. Parece que o tempo demonstrou que tudo passa, inclusive o
amor. Estou finalmente livre e o que sinto em relação a você é apenas gratidão,
porque aprendemos e crescemos juntos enquanto juntos estivemos.
Vi sua foto
na rede social e seu sorriso me lembrou seu riso fácil, cantando qualquer
música aleatória, tomando vinho e fumando um cigarro de maconha… e como você
gostava de maconha, Marina. A música alta, o vinho, seu riso e a maconha. É incrível
como nos encontrávamos e nos perdíamos nesses lugares onde fingíamos uma
alegria que estava longe de ser mútua. Eu, que sempre odiei maconha e música
alta, me embriagava de vinho para ter sua companhia.
Mas, como eu
dizia, aprendemos e crescemos juntos. Você me devolveu a vontade de viver e
aprendi a me amar enquanto você me amava. Você, que nunca havia sentido a vida, encontrava em mim um sentido em viver.
Eu retomei meus
projetos quando você soltava sua alegria e me contagiava com jovialidade e
seu amor pelos cachorros… sabia que até hoje me lembro de seu jeito com os cachorros
quando tenho de lidar com o meu? Incrível como dividimos e nem percebemos que
dividimos, não é? Eu dei a você o meu melhor e sei que a fiz refletir sobre o caminho e o significado da vida… lembra da primeira vez que nos vimos, tomando café
com leite na padaria do aeroporto, e você estava sem graça pelo frio intenso do inverno
catarinense? Ali você percebeu minha paixão pela vida e pelo significado de existir,
mesmo no café frio servido em um copo americano.
Sinto
saudades, Marina, de amar você. Sinto saudades de quem eu era e quem eu achava que você
pudesse ser... sinto falta da imagem e fantasia que tínhamos, nós dois, achando que poderíamos ficar juntos sendo tão diferentes! E o tempo passou e nós passamos, e eu estou melhor agora.
Sabia que meus projetos vingaram? A clínica tornou-se uma realidade, estou construindo
o colégio e o sítio é o próximo passo. Lembra de quanto você me incentivou para
prosseguir com tudo? Quero que venha visitar quando estiver pronto.
Essa não é apenas uma nota de despedida, mas de agradecimento pelo tempo e por tudo que ficou. Foi bom amar você, apesar de toda mágoa que senti. Você nunca esteve pronta para mim e eu deixei de ser sincero quando percebi isso e insisti. Éramos diferentes e ainda somos, pois havia uma urgência em você que há tempos deixou de existir em mim… não tenho pressa de viver, Marina… o tempo está a meu favor. Talvez essa seja uma oportunidade para você: aprender com o tempo e aceitá-lo para que aprenda a viver.
Espero que no futuro você também sinta a mesma dor e a mesma mágoa que eu senti, pois ela me ensinou muito sobre as expectativas e ilusões. Espero que tenha a oportunidade de amar novamente, assim como estou amando agora, de forma profunda e sincera, a minha própria alma... e que o seu sofrimento, Marina, seja perene e doce, assim como a maconha e o vinho que sempre a embriagava os sentidos!
Um beijo suave e profano,
Ian.

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