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IGLESIA ABANDONADA

Federico García Lorca (1898 - 1936) (BALADA DE LA GRAN GUERRA) Yo tenía un hijo que se llamaba Juan. Yo tenía un hijo. Se perdió por los arcos un viernes de todos los muertos. Le vi jugar en las últimas escaleras de la misa y echaba un cubito de hojalata en el corazón del sacerdote. He golpeado los ataúdes. ¡Mi hijo! ¡Mi hijo! ¡Mi hijo! Saqué una pata de gallina por detrás de la luna y luego comprendí que mi niña era un pez por donde se alejan las carretas. Yo tenía una niña. Yo tenía un pez muerto bajo la ceniza de los incensarios. Yo tenía un mar. ¿De qué? ¡Dios mío! ¡Un mar! Subí a tocar las campanas, pero las frutas tenían gusanos. y las cerillas apagadas se comían los trigos de la primavera. Yo vi la transparente cigüeña de alcohol mondar las negras cabezas de los soldados agonizantes y vi las cabañas de goma donde giraban las copas llenas de lágrimas. En las anémonas del ofertorio te encontraré, ¡corazón mío!, cuando el sacerdote levanta la mula y el buey con sus fuer...

DO LIVRO POETA EM NOVA YORK (XVI)

IGREJA ABANDONADA (BALADA DA GRANDE GUERRA) Eu tinha um filho que se chamava João. Eu tinha um filho. Perdeu-se pelos arcos numa sexta-feira de todos os mortos. Eu o vi brincar nos últimos degraus da missa e jogava um cubinho de folha-de-flandres no coração do sacerdote. Golpeei os ataúdes. Meu filho! Meu filho! Meu filho! Saquei uma pata de galinha por trás da lua e logo comprendi que minha menina era um peixe por onde se afastam as carretas. Eu tinha uma menina. Eu tinha um peixe morto sob a cinza dos incensários. Eu tinha um mar. De quê? Meu Deus! Um mar! Subi a tocar os sinos, mas as frutas tinham vermes e os fósforos apagados comiam os trigos da primavera. Eu vi a transparente cegonha de álcool aparar as negras cabeças dos soldados agonizantes e vi as cabanas de borracha onde giravam as taças cheias de lágrimas. Nas anêmonas do ofertório te encontrarei, meu coração!, quando o sacerdote levanta a mula e o boi com seus fortes braços, para espantar os sapos noturnos que rondam as...

Sou teu...

Ainda que os falos se prostem à minha frente, Ainda que a virilidade se faça presente, Ainda que haja mil corpos com desejos e duas mil imagens de beleza... Ainda que se faça silêncio em todos os corpos e que castrem toda juventude... Serei teu, amado amigo, serei teu!   Mesmo com imagens de homens, Mesmo com o desejo dos meninos, Mesmo com o assédio masculino, Mesmo com as dores da saudade, Mesmo com a nossa distancia física, Sou teu e teu serei até o fim, Terás meu corpo, mente e coração.   Serás leão e domador de minhas farsas, o senhor que assegura minha vida, e o ar que faz o meu viver. Dono de meus pensamentos e sempre do meu gozar. Sem pudor. Por ti tenho amor. Eu sou teu, amado amigo, eu sou teu!   Os falos morrem e as imagens somem, os meninos envelhecem e partem. Nada é eterno. Mas sou teu enquanto existir. Michael - Maio, 18. 1995

A dulce paz...

Aconteceu novamente, Claire. Como sempre há um vento frio que entra pelos meus poros e me faz repensar se há vida. É um vento intenso, dorido, que ainda assim não me arrebata a paz! É estranho ser indiferente ao vento. Ele, sempre ele. Ele, o outro. Como ele foram tantos, e tantos passaram. Não é a nossa sina? Não é essa nossa verdade, nossa vida? Ter o inferno no outro, porque é o outro que nos conta quem somos. E quem somos senão aquelas pequenas imagens por que nos tomam? Não somos, Claire... Se fôssemos, nossas imagens seriam sempre as mesmas. E não são, porque o outro – assim como ele – só pode ver o que sabe, o que conhece ou o que já experimentara de fato ou por um conto que ouvira em um lugar qualquer... Não, Claire... nossas imagens não são as mesmas. Elas são o que o outro – e ele – quer que elas sejam. Somos vítimas de nossas imagens e são elas – e somente elas – que contam aos outros o que somos (e são os outros que nos dizem!). Mas como eu dizia, acon...

O Trem

O trem que passa, passa e passa Não vê os patos que sobrevoam a relva, E tampouco reconhece a asa quebrada daquele que se desvia do bando a cair..   O   trem   corre. O   pato   cai.   Sabe onde vai o trem, Sabe onde cairá o pato!   Sem sorrisos no céu o sol escalda E testemunha o fim: O trem pára. O pato cai.

Concubina, a louca

Ela tinha dedos largos, cumpridos e cheios de marcas do tempo. Do cigarro barato e dos bordéis que freqüentava no centro da Lapa. Da cabeleira vasta e vermelha, poucos fios caiam-lhe sobre as têmporas acinzentados pela escolha da vida que tinha. Poucos dentes compunham-lhe a face cansada, sua boca rota e os olhos vítreos como se mortos para a luz ofuscantes e mofos das camas onde se vendia. E se declarava concubina, a louca. Sim, em sua insanidade imaginava-se capaz de sonhos, de devaneios onde seu poder se misturava às bebidas quentes de final de noite e suas roupas, rasgadas, seu preço barato pago pelos caixeiros viajantes. Apelidavam-lhe de bruxa. Sempre em desalinho, tentava sanar sua carência nos jogos de azar onde apostava sua indecência por moedas de barro. Dizia-se conhecedora dos segredos da vida, mas os únicos que habitavam sua mente eram das lembranças pérfidas de quando tentava exalar maldade e despertava alguma compaixão. E se declarava concubina, a louca. Viveu até ...

Charles Chaplin

Quando me amei de verdade, compreendi que em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exato. E então, pude relaxar.    Hoje sei que isso tem nome... Auto-estima. Quando me amei de verdade, pude perceber que minha angústia, meu sofrimento emocional, não passa de um sinal de que estou indo contra minhas verdades. Hoje sei que isso é...Autenticidade. Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento. Hoje chamo isso de... Amadurecimento. Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou a pessoa não está preparada, inclusive eu mesmo. Hoje sei que o nome disso é... Respeito. Quando me amei...