A Dança do Fogo

Meus armários foram abertos. Joguei fora tudo o que não mais usaria. Joguei fora tudo o que me faria recordar a fraqueza e a dor. Perdi com isso, mas aprendi.

Ontem estava solitário e contratei uma puta para massagear minhas costas. Ela me ofendeu, mas eu não me defendi. Senti-me irracional e sujo, como se isso fosse possível.

Descobri que ela tinha apenas isso a oferecer: uma cantada barata e um pouco mais que mãos para massagear minhas costas. Ela não era sadia e tampouco merecia meu respeito.

A bandida merecia a morte e assim será feito. A bandida merecia com que os céus a cegasse, mas não desejo essa benção ao seu espírito. Rezarei para que tenha um dia um encontro com a luz, assim saberá o mal que fez.

Colhi de meu jardim o amargo de suas palavras, mas aprendi com elas. Hoje estou forte, aprendi a rir e coloquei uma fita no pescoço. Talvez isso simbolize a morte da puta. Talvez seja apenas uma fita que sobrou do incêndio de minha casa.

Coloquei fogo na casa. Incendiei tudo o que não mais usaria de meu armário. Os vizinhos chamaram o síndico enquanto eu dançava em volta da fogueira. O síndico ameaçou chamar os bombeiros. A fumaça infestou todo o andar. Minha dor era queimada e todo o andar sentia o cheiro da carne fresca queimada. A carne da puta. A carne do meu erro e da minha solidão.

A confusão foi instaurada, mas eu me recuperei.

A puta jaz em um saco de lixo cheio de cinzas e meu humor finalmente retornou...

Abraços,

De mim

P.s.: Conseguiram chegar em casa antes do término do incêndio, logo ainda restou algo além das cinzas. Mas a puta foi incendiada e morreu!

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