Naudiz




Hoje Ela voltou. Veio devagar, logo pela manhã, e se instalou como uma visita inesperada. Não pediu licença, sentiu-se em casa, como sempre. Como se estivesse em seu espaço, em sua razão, em seu motivo. Chegou silente e sem alarde, sorrateira, própria de uma natureza madura e segura.


Ela esperou por mim. Que eu me despertasse para um novo dia. E então, finalmente, Ela falou. E Suas palavras vieram como uma grande explosão, sem símbolos, sem rodeios, sem metades. Apenas vieram. E fizeram sentido. E tinham significado. Palavras capazes de mudar o sentir do dia, a consciência do dia. A consciência, Ela diria. A consciência é o que pode nos deixar livres.


"Por que continuas preso em teus grilhões", Ela perguntou. "Por que não te libertas se do que precisas é coragem de prosseguir". Ela me questionava e meu café nunca pareceu tão amargo. O sono se foi e o pão sequer me alimentou. Então Ela se calou. Sentou-se em um canto em silêncio, novamente, como se aguardasse eu assimilar cada palavra, cada sentir, cada parte de mim desnudada à minha frente. Ela esperava, somente.


Fui interrompido, de repente, por um paciente que me chamava, algo aconteceu. Naquele momento, Ela sorriu satisfeita, algo brilhou em mim ao me disponibilizar no ofício. Eu senti algo em mim que recrudesceu, que brilhou e todo meu ser se movia em direção ao que precisava ser feito. Ela sorriu mais abertamente e saiu, despedindo-se de mim...


E então, Ela se foi. A Angústia se foi.


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