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Adeus, Marina

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  Eu deixei de amar você, Marina. Parece que o tempo demonstrou que tudo passa, inclusive o amor. Estou finalmente livre e o que sinto em relação a você é apenas gratidão, porque aprendemos e crescemos juntos enquanto juntos estivemos. Vi sua foto na rede social e seu sorriso me lembrou seu riso fácil, cantando qualquer música aleatória, tomando vinho e fumando um cigarro de maconha… e como você gostava de maconha, Marina. A música alta, o vinho, seu riso e a maconha. É incrível como nos encontrávamos e nos perdíamos nesses lugares onde fingíamos uma alegria que estava longe de ser mútua. Eu, que sempre odiei maconha e música alta, me embriagava de vinho para ter sua companhia. Mas, como eu dizia, aprendemos e crescemos juntos. Você me devolveu a vontade de viver e aprendi a me amar enquanto você me amava. Você, que nunca havia sentido a vida, encontrava em mim um sentido em viver. Eu retomei meus projetos quando você soltava sua alegria e me contagiava com jovialidade e seu ...

A bola na cesta de basquete

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  “Sonhei que as pessoas vinham em grupo de três, eram brancas e pálidas, como se isentas de qualquer cor ou vida. O grupo pegava uma bola de basquete, também branca e sem cor, e jogavam para acertar a cesta logo a frente... se errassem, tentavam novamente. Se acertassem, então saltavam em um precipício para morte, pois haviam terminado o propósito e nada restava para ser feito. A vida se havia terminado, o sentido da vida se havia terminado e isso bastava a elas. Espantei-me ao vê-las morrendo completamente passivas, sem emoção no rosto, totalmente desprovidas de qualquer esperança ou motivação. E então, saio do local e vejo-me em meio a um rio cortando a floresta, sobre uma jangada improvisada, admirado com a beleza das cores e da vida que ali existe. Encantado com essa visão, quero registrá-la com fotos e guardar para que possa falar a todos de como há beleza na floresta.” Desperto, com espanto, e então A Voz me diz que tudo tem sua existência objetiva e subjetiva, pois as coi...

Reflexões sobre o instinto

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Dentro da clínica psicológica, percebemos que muita gente age totalmente tomada pelo instinto, de forma que a razão e a emoção têm influência secundária em suas decisões. Vivem com a ânsia da sobrevivência, focando apenas naquilo que pode satisfazer o prazer momentâneo e imediato. Parece que passam anos procurando tapar seus buracos de subsistência sem que possam se dar conta de que a vida vai além dos pequenos prazeres e caminhar pelo solo. Por serem ignorantes de que são dominados pelos seus desejos e faltas, perdem-se em teorias sobre o poder e eficiência, quando o “aqui e agora” se torna pano de fundo para decisões e ações que, na maioria das vezes, são incapazes de preencher o vazio que vivem – e desconhecem. Morrem sem terem encontrado um significado, são tomados por doenças físicas e psíquicas (e todas as doenças são primeiramente psíquicas) e sucumbem, definitivamente. Essa é a tal normalidade. Esse é o tal senso comum que dispensa conhecer algo além do que pode ser tocado,...

Eremita

  Não é sobre solidão, B. É sobre estar sozinho... parece que ao descobrir esse novo mundo nos sentimos cada vez menos no mundo em que estávamos... é estranho sentir isso. Eu me sinto cada vez mais sozinho, como se perdesse a conexão com tudo que eu tinha antes. Então gostarias de permanecer no mesmo lugar, sem movimento? É o que desejas? Retornar onde tu estavas e ao que tu eras? Não. Então por que reclamas? Não sabes que a cada mudança deixarás para trás uma parte da casa onde habitavas para que encontres um novo lar em ti mesmo? Não sabes que a cada estágio terás outras formas de sentir e que o antigo te servirá apenas como história de ti mesmo? Queres o novo e o antigo ao mesmo tempo e viver ambas vidas simultaneamente? Mas não há uma forma de mesmo avançando ainda ter a companhia e os regalos da vida? Se não aceitares a nova vida como poderás ter novos regalos? Lamentar o que não tens é como não apreciar o que tens. A vida que tens está aqui e agora e tu vives a lame...

A Voz

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Ontem, durante a reunião de família, uma pessoa veio e disse que a filha se corta com gilete, fica o dia todo no escuro e diz não querer ver gente. O psiquiatra da menina pede que ela, a mãe, não tire a filha de casa e acha que as alucinações com gente morta são sintomas de depressão.   Ela, a mãe, chora, mostra-se cansada e sem forças para ajudar a própria filha, que só pensa em deixar de viver. Eu me calo, fecho os olhos e peço ajuda à Voz... e Ela me responde, permite que eu veja que a filha reproduz a dor que a mãe tem, a ausência de amor que a mãe tem e a solidão e o abandono que a mãe tem.   Faço silêncio por um momento, ouço da Voz o que precisa ser feito e faço uma poção simples, com frutas e mel, e ofereço a ela, que ainda chora ao meu lado. Aos poucos, ela se acalma e já começa a reagir. Ela sai, caminhando pela chuva leve, e resolve ir para casa levar uma comida para filha.   Tenho a sensação de que tive uma nova lição aprendida, para mim e minha vi...

Uma visita inusitada

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  Confesso ter ficado surpreso com sua visita, ao mesmo tempo que contente ! Por que? Achou que apenas Eles poderiam falar com você? Entre um charuto e outro, a gente vai se entendendo... tem algumas coisas mais práticas que gosto de trazer, sem muito ensaio. É isso e pronto.   Gosto do que é prático... às vezes, confundimos o prático com o superficial... Quando você fica muito preso no agora, sem olhar no antes ou no depois, pode ficar artificial. O antes e o depois existem para serem considerados, um dá consequência ao outro, não precisa ficar nem preso no passado nem ansioso pelo futuro... ambos se interligam pelo presente, então fique concentrado em resolver o agora e esteja consciente de que está construindo o depois, sem prisões.   Mas o que gostaria de pontuar nessa visita, D.? Falei uma vez sobre fluidez, lembra-se?   Sim, sim... algo sobre deixar emoções fluírem para que a vida também possa fluir, isso? Exatamente, o fluir das emoções. Se...

Ambrosia e Mel

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  E não seria o amor o que nos une como humanos? Dizemos inclusive que o Eterno é Amor... Tu falas como se fosse o  amor  o maior objetivo humano, tu te confundes e colocas o amor como um objetivo de vida ou condição de existência... não sejas tolo, amor é a partilha da alma, o que nem sempre precisa ser agradável em termos humanos. Aprende primeiro a amar-te para saberes o que é o amor e como irá manifestá-lo. Partilha de tua alma contigo mesmo para estares apto a partilha-la com outros.   Se nem sempre é agradável, então vou entender que mesmo o ódio faz parte do amor? Palavras, palavras, palavras... não tomes meu tempo com isso. O que chamas de ódio e de amor são interpretações humanas, nada mais. As emoções refletem teu estado interno, quem tu és verdadeiramente. Tu separas que "amor é do bem" e "ódio não é do bem"... divides o que é único em luz e trevas e te esqueces que não tens apenas luz, mas és negro como a noite e claro como o sol; e, ainda assim, é...