Mefistófeles e o encontro no deserto
E então ele me perguntou, nesse deserto, quem eu era. Não, minto, antes, ele me perguntou se eu sabia quem eu era, se eu sabia porque estava ali. Eu me assustei, fiquei calado um momento ou outro, em dúvida sobre a própria jornada. Como se aquela pergunta, simples e direta, me trouxesse um calafrio e um medo profundo por não saber responder - embora a resposta sempre estivesse aqui, clara como a luz do sol escaldante do deserto, onde eu fugia de mim para não me tornar quem sou. Ele riu, como Mefistófeles, e caçou da minha perdição. Rodopiou pelo ar, levantando areia, dizendo que eu nunca sairia dali negando minha natureza... ele riu novamente, uma gargalhada dura que me fazia cair de joelhos diante da grandeza da minha alma, aquela que me conduziu ao deserto para jornada de auto descoberta de mim. Ah, minha alma, minha alma... porque me permite ver o inferno se ainda me assusto com as chamas de fogo que me queimam a carne. Eu clamava e ele ria de mim. E repetia que eu fugia de mim...