Colóquio

Não saberia a distância entre a filosofia e a poesia sacra. Não saberia sequer se poderia, com minhas tertúlias vespertinas, ter meu nome Petrus ou Paulus... ou mesmo retornar ao continente e saudar meus deuses de outrora.

 

Há dias em que tudo não passa de poesia e Pessoa invade meus olhos para, ao som de Guardador de Rebanhos, cantar meu sentimento frugal: "Não acredito em Deus porque nunca o vi..." E quando solto meu brado, percebo que nunca estive no mundo. E Pessoa se vai...

 

Não vou retornar aos vazios. Recuso-me meus vazios. Minhas letras dizem de epifanias nunca vividas, nunca sentidas. Há fantasmas por toda parte de meu ser que reclamam por atenção e outros que se perdem nos dias em que me cerco de livros e letras para passar o tempo. Eu nunca estive no mundo.

 

Disse uma vez um pequeno que sua garota veio pela internet. O outro, dizia sobre honras de pelos pubianos nunca aparados. E riam, inebriados pelo mundo, enquanto em silêncio eu buscava de Petrus e Paulus um sentido não vivido. E não sou do mundo. E não sou da vida. E não sou, por infortúnio, a mesma meretriz de antes que se fechava nas casas de tolerância.

 

E onde está o que sou se tudo o que sou dissolve-se em contato à realidade? Onde está o real se o que vejo vai-se ao vento quando o sol se vem? Já não sei!

 

A única certeza que tenho é da finidade... e isso dói.

 

Até logo,

 

(sem nome)

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